11 de junho de 2026

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A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados promoveu, nesta quarta-feira (10), uma audiência pública para discutir o papel da prática esportiva no desenvolvimento de pessoas com síndrome de Down e pessoas autistas. O debate atendeu a requerimento do deputado Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS) e reuniu representantes do governo, pesquisadores, atletas, familiares e entidades ligadas à inclusão.

Durante a audiência, participantes discutiram o acesso ao esporte, a formação de profissionais de educação física, políticas públicas e experiências de inclusão em diferentes modalidades esportivas. O secretário nacional de Paradesporto do Ministério do Esporte, Fábio Augusto Lima de Araújo, apresentou ações da pasta voltadas às pessoas com deficiência, incluindo o programa TEA Ativo, criado para atender crianças e jovens com transtorno do espectro autista por meio da atividade física.

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Segundo o secretário, o objetivo da Secretaria Nacional de Paradesporto é ampliar o acesso à atividade física e ao esporte. “A gente não quer na Secretaria Nacional de Paradesporto formar atletas de alto rendimento. Esse não é o objetivo principal da secretaria. O alto rendimento é uma escolha muito pessoal do atleta”, afirmou.

Araújo também destacou que o programa TEAtivo busca contribuir para o desenvolvimento global, qualidade de vida e convivência social e familiar de crianças e jovens autistas. Ele informou que a iniciativa teve investimentos superiores a R$ 13 milhões até 2025 e alcançou quase 6 mil beneficiários nas cinco regiões do país.

O professor Pedro Lucas Costa, do Núcleo de Autismo e Neurodiversidade da Universidade de Brasília (UnB), afirmou que o debate sobre esporte e autismo precisa considerar as condições oferecidas para a participação. Para ele, a inclusão não deve ser entendida apenas como presença física nos espaços esportivos.

“A inclusão não é presença física. Inclusão é participação social significativa”, disse. Segundo o pesquisador, o estudante autista deve ter acesso ao esporte como uma experiência de desenvolvimento, comunicação, cooperação e participação cultural.

Costa também questionou modelos que colocam sobre a pessoa com deficiência a responsabilidade pela adaptação ao ambiente. “Não se trata de reduzir exigências. Trata-se de qualificar mediações. O estudante autista não precisa de pena. Precisa de condições pedagógicas adequadas”, afirmou.

O bacharel em Educação Física Lucas de Matos, pessoa com síndrome de Down, relatou sua trajetória envolvendo educação inclusiva e esporte. Ele afirmou que a prática esportiva esteve presente em seu desenvolvimento pessoal e acadêmico.

“O esporte sempre esteve presente em minha vida, o que foi determinante na escolha em cursar Educação Física”, declarou. Para Lucas, o esporte representa participação, autonomia e desenvolvimento social.

A presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, Cleunice Bohn de Lima, destacou experiências com futsal Down e afirmou que as modalidades coletivas também são espaços de convivência para atletas e familiares.

“O esporte é uma oportunidade de encontro, de dividir o dia a dia deles, e por que não falar das famílias que se encontram?”, disse. Ela também mencionou o crescimento de equipes e atletas com síndrome de Down em diferentes regiões do país.

O atleta Mateus Roberto, pessoa com síndrome de Down, falou sobre sua relação com o esporte e destacou aspectos como trabalho em equipe e disciplina. “Pessoas com síndrome de Down não querem limites, querem oportunidades para mostrar que são capazes”, afirmou.

A presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Rio Grande do Sul, Cátia Dionéia de Souza Vieira, apresentou iniciativas desenvolvidas em Pelotas, incluindo atividades esportivas para pessoas com síndrome de Down. Ela afirmou que o esporte deve ser compreendido como direito, além de atividade física.

O professor da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília, Juarez Oliveira Sampaio, defendeu que o esporte deve ser pensado dentro de espaços sociais compartilhados, com participação de pessoas com e sem deficiência. Para ele, o desenvolvimento ocorre nas relações sociais e nas oportunidades oferecidas.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou que políticas de inclusão precisam estar presentes em diferentes áreas, incluindo esporte, educação e saúde. “A política de inclusão é uma política que tem uma transversalidade”, declarou.

 

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