Por

Selma Sueli Silva

"Jornalista e relações públicas, diagnosticada com autismo, autora dos livros "Minha Vida de Trás pra Frente", "Dez Anos Depois" e "Camaleônicos", mantém o site "O Mundo Autista" no Portal UAI e o canal do YouTube "Mundo Autista"."

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Efeitos da pandemia em minha saúde mental

2 de julho de 2021

Tempo de Leitura: 2 minutosNo início de 2020, quando recebi a notícia da quarentena, estava preparada pois, como jornalista,  já acompanhava a trilha do coronavirus. Era uma situação que exigiria o esforço do governo,  das entidades,  das empresas e da sociedade civil.

Entretanto,  com o passar dos dias percebi que todos os setores,  todos,  estavam completamente despreparados para uma pandemia mundial. Vi cientistas agindo contra o tempo,  profissionais de saúde sucumbindo ao desconhecido,  sem, contudo, abandonar a linha de frente contra o inimigo.

Países que reconheceram nossa completa ignorância diante da doença,  seguiram os protocolos e saíram mais cedo da situação de caos que se alastrava. O governo de Jacinda Ardern, na Nova Zelândia, foi elogiado por sua estratégia frente à pandemia e o país está no topo da lista da Bloomberg (empresa global de informações financeiras e notícias), depois da Nova Zelândia, seguem Japão, Taiwan, Coreia do Sul, Finlândia, Noruega, Austrália e China, nessa ordem.

O último lugar é ocupado pelo México, que, com mais de 100 mil mortes, é o quarto país com mais mortes, atrás da Índia, Brasil e Estados Unidos. Esses países ignoraram autoridades científicas e chafurdaram, dia após dia,  num mar de vidas ceifadas pela ignorância humana.

Aqui,  na terrinha,  tivemos empresários caindo no conto do vigário e, claro,  como vigaristas que são, tomaram soro no lugar da vacina. Uma lástima se considerarmos que vigário e vigaristas só queriam salvar o seu,  conforme suas convicções: em caso de crise eu, somente eu, primeiro.

Assim, do início de 2020, até agora temos mais de 520 mil vidas interrompidas,  famílias dilaceradas, talentos perdidos e o vírus se fortalecendo.

Esse é o pior quadro para o autista que precisa da previsibilidade para se organizar,  se sentir seguro. Há pouco mais de dez dias,  saí do pesadelo da síndrome de burnout. Não desejo a ninguém.  Desde o último domingo,  estou com uma dor que não me abandona.  Escrevo esse texto na sala de espera do clínico geral.

Independente do que seja,  acabo de decidir.  Não vou adoecer, vou cuidar de minha mente. Não vou dar espaço aos conhecidos pensamentos fatalistas, nem à frustração de tanta coisa ruim acontecendo.  Seguirei firme,  sabendo que tudo passa e esse momento também vai passar.  Sobrevive aquele com maior capacidade de adaptação em tempos adversos.  Sempre fui uma sobrevivente e vou continuar sendo.  E você? Vem comigo?

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