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Francisco Paiva Jr.

Editor-chefe da Revista Autismo, jornalista, empreendedor.

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Editorial — Revista Autismo nº 10

1 de setembro de 2020

Tempo de Leitura: 2 minutosFazer uma reportagem sobre religião e autismo é, sem dúvida, um desafio que muitos recusariam. Não só pela complexidade, mas também pela controvérsia do tema. Mas os dedicados jornalistas Tiago Abreu e Sophia Mendonça não se deram por satisfeitos até conduzir essa empreitada até o fim. Aqui, nesta edição, você os lê e, no podcast Introvertendo, os ouve — são duas versões da reportagem, em texto e áudio.

Mesmo com a limitação de fazê-lo num espaço restrito, com vistas a não escreverem um verdadeiro livro sobre o assunto, ambos conseguiram sintetizar muitos aspectos importantes da fé no espectro, desde abordar diversas religiões diferentes, como o ateísmo e também projetos sociais oriundos de instituições religiosas em benefício dos autistas. Há muito a dizer ainda, claro. Sem dúvida voltaremos ao tema.

Academia do Autismo

Outro conteúdo que merece destaque nesta edição é o artigo da professora Luciana Viegas Caetano — como ela mesma se define: “negra, mãe de um menino autista negro não oralizado”. Num irretocável texto, ela discorre sobre racismo e capacitismo envolvendo o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Mas o que quero destacar é o quão assustado fiquei (por ser tão distante da minha realidade pessoal) quando conversei com ela ao telefone para convidá-la a escrever o artigo. Ouvi dela: “Apesar de meu filho ter 3 anos apenas, eu já ensino os comandos policiais a ele, pois o mais importante é que ele entenda os comandos e os respeite, caso seja alvo de abordagem policial. E, mais importante ainda, que volte vivo para casa”. Fiquei, confesso, alguns segundos em silêncio, pensando naquilo que eu nunca havia pensado. Em tantas coisas que eu classificaria como básicas, essenciais, super importantes a serem ensinadas a um autista que não fala. Menos isso. Eu, tão privilegiado — latino branco no Brasil, heterosexual, sem ser pobre ou morar na periferia —, não pude, jamais, imaginar tal perspectiva. Na hora disse a ela: “Você tem que escrever isso!”. Todo mundo tem que saber desta realidade. Não que fosse uma surpresa o racismo estrutural de nossa sociedade ou das condições de vida na periferia. Mas juntar isso ao desafio de criar uma criança autista que não fala (“não oralizada” ou “não verbal”, ou “não vocal” — há uma polêmica sobre qual seria o termo correto) é de constranger. Eu me constrangi. É preciso bradar. É preciso mudar!

Ah! Uma característica em comum nos três profissionais que citei: todos são talentosíssimos.

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