Por

Diego Lomac

É videomaker, fotógrafo e editor, graduado em Cinema, Rádio e TV e irmão de Rafael, autista adulto.

Crítica Cultural: Nosso Jeito de Ser (As We See It)

1 de março de 2022

Tempo de Leitura: 2 minutos“Você não vai ser meu namorado”, disse Violet, uma das protagonistas com autismo de As We See It. “Eu quero um namorado normal.” E a resposta da série foi: “Por quê? Me diz, qual é a graça de ser ‘normal’?”

As We See It acompanha o dia-a-dia de três personagens no espectro autista: Harrison, Jack e Violet, que passam a semana juntos em um apartamento com a cuidadora Mandy. Em um marco na TV, a série de drama/comédia tem todos seus três protagonistas interpretados por atores que também estão no espectro na vida real. A autenticidade na performance, combinada com o roteiro de Jason Katims, vencedor do Emmy 2011, que já teve Parenthood em seu portfólio para abordar Asperger em séries, faz com que As We See It consiga tocar em uma ampla variedade de assuntos pertinentes à vida das pessoas com TEA.

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Academia do Autismo

Jack talvez seja o personagem mais “familiar” para quem já consumiu conteúdos semelhantes: Ele é um programador com problemas para conseguir manter sua posição no trabalho por não se portar como seu chefe gostaria, apesar de ser extremamente inteligente. Além disso, precisa aprender a lidar com o recente diagnóstico de câncer de seu pai, e com um súbito romance com a enfermeira da clínica de oncologia. Sua história é boa, mas dentro dos padrões que já foram explorados anteriormente em outras produções, como The Good Doctor e The Big Bang Theory.

Harrison é o personagem com mais sensibilidade sensorial, e isso o levou a um nível de extrema agorafobia e sedentarismo. Sua história na série é focada em superar seus medos, e na dificuldade de outras pessoas compreenderem e aceitarem sua amizade com seu vizinho, uma criança (sendo que ele tem mais de 20 anos), além de seu sentimento de solidão e abandono por sua família estar se afastando.

E então chegamos a Violet. E aqui, um aviso: durante os primeiros episódios, a série causa desconforto. Não por estar fazendo algo errado, mas sim porque essa é a intenção. Porque está fazendo tudo exatamente como deveria. Não há nenhuma romantização aqui, a ideia é mostrar exatamente como é a realidade da vida de uma pessoa autista em um mundo que não a acomoda, onde o que é um pouco difícil para outras pessoas pode ser uma odisséia para quem tem autismo.

Isso é presente para os três personagens, mas para Violet mais do que tudo, porque o centro de sua história é a busca por romance. E a abordagem da obsessão dela por conseguir namorar a qualquer custo, de sua frustração quando as coisas não dão certo, e de suas brigas com seu irmão mais velho Van, que está tentando protegê-la, mas ao mesmo tempo impedindo que ela consiga ter uma vida própria e aprenda com os próprios erros, é de longe a parte mais complexa e interessante da série. E algo completamente diferente, e muito mais real, do que qualquer abordagem feita sobre o assunto anteriormente nas telas.

Junto disso, temos o dilema de Mandy, a cuidadora, que está dividida entre seguir uma carreira acadêmica em outro estado, ou continuar ali cuidando de três pessoas cujo progresso depende dela. Em oito episódios, há uma enorme evolução de personagens condensada ao longo de cada minuto. Mas, ao longo da série, a lição constantemente apresentada é a de que as pessoas ali não estão passando por essas experiências por estarem no espectro. E sim porque todo mundo vive. E todo mundo tem algo borbulhando por baixo da superfície. E todos precisam de espaço e companhia para conseguir se entender e resolver os seus próprios problemas.

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