Por

Selma Sueli Silva

"Jornalista e relações públicas, diagnosticada com autismo, autora dos livros "Minha Vida de Trás pra Frente", "Dez Anos Depois" e "Camaleônicos", mantém o site "O Mundo Autista" no Portal UAI e o canal do YouTube "Mundo Autista"."

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Cérebro: por que as pessoas negam as doenças mentais e a neurodivergência?

16 de julho de 2021

Tempo de Leitura: 2 minutosPsicofobia – o preconceito contra as pessoas que apresentam transtornos e/ou deficiências mentais.

Você nasceu com a perna com músculos que apresentam um funcionamento diferente do padrão, sua caminhada é um tantinho cambaleante. Não é doença, não há como ‘consertar’. Ninguém te julga. Ao contrário, perguntam se você precisa de ajuda, tiram obstáculos de seu caminho.

Porém, se você está em meio à uma crise de ansiedade, ou com depressão, ou é disléxico, tem TOC, cérebro neurodivergente, a maioria das pessoas julga você. Essas pessoas cobram que você reaja, seja forte. Não oferecem ajuda e, ao contrário, passam a evitar você. É como se isso fosse contagioso ou depusesse contra você o que, mesmo que inconscientemente, justifica essa ação.

Saúde do corpo e da mente são igualmente importantes

Por que as pessoas têm aversão a qualquer assunto relacionado à mente, ao cérebro? Por que ignoram ou debocham, ou julgam ou desejam segregar quem tem cérebro neurodivergente, diferente ou alguma outra condição que não esteja dentro de uma ‘normalidade’ que ninguém sabe de onde surgiu? Ninguém é só cérebro ou só corpo. Somos um inteiro chamado ser humano. Essa humanidade se dá exatamente, nas relações sociais. A pessoa se faz ser humano na convivência que permite a troca de códigos sociais e culturais dessa humanidade.

Nós somos coletivos, por isso criamos valores materiais trocamos coisas, estabelecemos trocas sociais e de comunicação. A base fundamental dos seres humanos é serem criadores de valor. Negar isso a qualquer pessoa, é negar a ela a sua própria humanidade. Por que tanto medo da mente? Do cérebro?

A evolução do cérebro

O homem da caverna possuía o cérebro reptiliano que garantiu a sobrevivência de sua espécie. Essa parte do cérebro, ainda existente em nós, é responsável pelas rotinas, hábitos, rituais, a disciplina e o fazer diário constante.

Com a nossa evolução, desenvolvemos uma parte do cérebro chamada de límbico, que é a estrutura cerebral que todo o mamífero tem. A palavra límbico significa fronteira. O cérebro límbico é responsável pelas emoções e sentimentos. É onde processamos o que queremos e desejamos.

Já a terceira parte de nosso cérebro é a neo-cortex que ocupa 85% de nossa massa cerebral – é o nosso intelecto, que representa o pensamento lógico e criativo. No cérebro neo-cortex criamos nossos mapas mentais.

Plasticidade cerebral

A plasticidade cerebral é a capacidade de nosso sistema nervoso mudar sua estrutura e seu funcionamento ao decorrer de nossa vida, como reação a diversidade de nosso entorno. As conexões cerebrais se processam em nossa vida de acordo com nossas vivências. Portanto, negar as fragilidades ou diferenças cerebrais é impedir o desenvolvimento pleno da humanidade.

Empatia é inclusão

Esta semana, estava numa reunião de palestra com minha filha Sophia e ela falava de seus desafios e consequentes vitórias da faculdade até o mestrado. De repente, ela me forneceu um novo e amplo conceito de inclusão: “A rede de amigos que finalmente, consegui criar na universidade foi a minha Rede de Inclusão. Houve troca, aprendi e ensinei por meio do diálogo empático e humanístico com meus amigos.”

Essa fala tão simples quanto profunda nos faz voltar à essência de nossa humanidade: “O ser humano só é ser humano na convivência que permite as trocas sociais.” Para essa prática criativa, não precisamos de métodos. Precisamos sim, resgatar nossos princípios humanísticos.

Referência: Curso Certificación Internacional Licensed Practitioner en PNL, Programaciòn Neurolinguística.

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