Por

ONDA-Autismo

Organização Neurodiversa pelos Direitos dos Autistas

Instagram de ONDA-AutismoCanal no Youtube de ONDA-Autismo

Ansiedade em mães com filhos autistas

10 de janeiro de 2022

Tempo de Leitura: 2 minutos

Por Paula Frade

Conselho de Profissionais da ONDA-Autismo, Moderadora Projeto TEAcolher , Pedagoga; Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento, Mentora de mães atípicas 

 

Publicidade
Academia do Autismo
Você conhece alguém que tem transtorno de ansiedade?

Muito provavelmente a sua resposta foi sim, uma vez que pessoas diagnosticadas com ansiedade aumento consideravelmente, principalmente nesse período de pandemia.

Durante a semana, atendo muitas mães que têm filhos autistas, sendo a maioria diagnosticadas com ansiedade. Mas esse dado não é apenas uma coincidência. De acordo com pesquisas recentes, mães de crianças autistas são diagnosticadas com ansiedade cada vez em uma frequência maior.

De acordo com o DSM-5 (2013), os transtornos de ansiedade são caracterizados por medo e ansiedade excessiva, além de perturbações comportamentais. O medo está relacionado a algo real ou percebida, já a ansiedade seria a antecipação de ameaça no futuro.

Mas por que observamos uma frequência cada vez maior desse transtorno nessas mães? A ciência aponta que o diagnóstico de autismo acarreta em grande impacto em grande parte das famílias, principalmente para seus cuidadores. Normalmente, as famílias se questionam em relação ao diagnóstico, além de conviverem com diversos sentimentos antagônicos.

Tendo em vista esse cenário, há grande propensão em desenvolver transtorno de ansiedade e depressão nas mães dessas crianças uma vez que, em muitos casos, são elas que cuidam dos filhos integralmente e, geralmente, com uma rede de apoio bastante escassa.

Pensando nos dados que a ciência nos traz, observamos mais uma vez o quão importante é acolher essa mãe. Afinal, em muitos momentos, ela vive um mar de incertezas, não conseguindo ou sem tempo de verbalizar o que sente, porque sua rotina é tão avassaladora que não consegue olhar para si. Em muitos casos, ela consegue perceber que algo não vai bem consigo, mas não consegue se quer se cuidar, uma vez que todo seu tempo está destinado a cuidar de seu filho.

Antes de dizer para esse mãe “você é muito ansiosa…pare de ter tanto medo…quanto vitimismo…”, dê um passo para trás para olhar todo o cenário vivido. Em muitos dos casos, essas mães acabam não desabafando sobre seus sentimentos com medo de julgamentos descabidos, mesmo sabendo que seu peito grita por ajuda.

Compartilhe

Autismo x genética

Por Graciela Pignatari
Como a ciência explica hoje a ligação entre autismo e genética Graciela…

Minhas percepções sobre a trajetória do autismo no Brasil

/
Por Maria Elisa Granchi Fonseca
Eu costumo dizer que sou da velha geração do autismo no Brasil. Daquela geração que no final dos anos 1980, não tinha livros para ler, internet para consultar, professores para orientar, mas tinha crianças para atender. Pois é. Elas sempre existiram. Eu sou da geração 80 que colocava na porta a plaquinha “Em atendimento”, entrava na sala com a criança e não sabia o que fazer. Eu não tenho vergonha de contar essa passagem da minha vida, pois foi dali que eu passei a entender que algo precisava ser feito. Eu realmente não sabia o que fazer com aquela criança que ali estava e não tinha ninguém que pudesse me orientar com precisão naquele momento.