Por

Paula Ayub

É psicóloga clínica, terapeuta de família, diretora do Centro de Convivência Movimento – local de atendimento para autistas –, autora de vários artigos e capítulos de livros, membro do GT de TEA da SMPD de São Paulo e membro do Eu me Protejo (Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes 2020, na categoria Produção de Conhecimento).

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A morte das mães atípicas

4 de agosto de 2022A morte das mães atípicas — Canal Autismo / Revista AutismoReprodução / Depositphotos

Tempo de Leitura: 2 minutosEm 19 de julho de 2022, morreu uma mulher queimada viva em praça pública no México. Essa mulher havia sido ameaçada pelo seu vizinho pelos barulhos que seu filho autista fazia durante o dia e a noite.

Sobre o fatídico episódio, creio que não preciso comentar mais nada. Muitos já foram os textos de solidariedade e luto espalhados pelas redes sociais. Entretanto, precisamos falar sobre acessibilidade e capacitismo e o cuidado com o cuidador.

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Academia do Autismo

Durante a pandemia de 2020, tivemos notícias de mães atípicas que cometeram suicídio; outras mataram seus filhos com deficiência e depois se suicidaram e, mais recentemente, soube-se de mulheres que faleceram por mortes naturais e seus filhos com deficiência ficaram dias e dias (os que sobreviveram) sem nenhum cuidado.

O que isso nos mostra? Que as mães (78% das mães com filhos com deficiência são abandonadas por seus maridos) com filhos com deficiência possuem uma rede de apoio pobre e descompromissada. Que elas não recebem atenção, carinho, suporte ou nem mesmo proteção quando são ameaçadas. São solitárias em seus caminhos e, escondem seus medos, ansiedades e desesperança porque não têm tempo para se ocuparem de si mesmas.

O desafio diário de uma mãe atípica, embora esse não seja meu lugar de fala (falo do lugar de saber como terapeuta de família), passa pelo ir e vir de salas de espera, de cobranças de profissionais sobre ‘como lidar com seu próprio filho (a), alimentação e o dia a dia de escovar dentes, trocar de roupa, amarrar sapato, arrumar mochila, cuidar para não haver acidentes domésticos, entreter, alimentar (cozinhar, limpar, dar de comer), intervir em meltdowns, procurar o único brinquedo que acalma, dar banho, fazer deixar lavar a cabeça, vestir de novo, colocar para dormir, tentar fazer dormir, dormir com olho aberto porque o filho (a) acorda a noite e se coloca em risco. Enfim, apenas para citar alguns exemplos do que ouço no dia a dia. Esse universo é comparado ao estresse de soldados em combate, segundo estudo citado na Disability Scoop.

Podem imaginar o que isso significa? Alguém em constante alerta de perigo, buscando fazer sobreviver a si mesmo e a seu ‘pelotão’. Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, por todos os anos de sua vida.

Nossa conversa com a sociedade se dá no exato ponto de que essas mães necessitam de vizinhos, familiares, agentes de saúde para poderem sobreviver à sua rotina desgastante. Precisamos de campanhas que conscientizem sobre empatia e solidariedade (não dó ou pena) para que elas possam ter espaços de troca, de conversa, de lazer; atividades tão importantes para a diminuição do estresse.

Finalmente, cabe ressaltar que estresse não é mimimi. Estresse causa aumento no número de morte por câncer e doenças cardiovasculares. É fato cientificamente comprovado.

Então? Vamos divulgar esse artigo e reunir a aldeia para ajudar a criar uma criança?

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