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Transtornos alimentares podem compartilhar características com condições neurodivergentes, como o autismo e o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Entre elas estão a sensibilidade à textura, ao cheiro, à cor, à temperatura e ao sabor dos alimentos, a repetição de refeições, a rigidez cognitiva e as dificuldades de interação social.
Um estudo clínico publicado em 2020 e descrito pela Folha de S. Paulo aponta que entre 20% e 35% das mulheres com anorexia nervosa atendem aos critérios diagnósticos para autismo ou apresentam traços autistas elevados. Segundo especialistas, características do autismo em mulheres podem passar despercebidas devido à camuflagem de comportamentos. A necessidade de rotina também pode se manifestar por meio do controle da alimentação, das calorias, da imagem corporal e dos exercícios físicos.
O psiquiatra José Carlos Apolinário explica que manifestações da anorexia podem dificultar a identificação do autismo. “Pode haver uma sobreposição de sintomas, já que a pessoa com transtorno do espectro autista pode ter o paladar muito aguçado, resistência a determinados sabores e texturas, porque sente que tem coisas diferentes na boca”, disse.
No transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE), a alimentação pode ser limitada por características como sabor e textura, sem que a restrição esteja relacionada à imagem corporal. Pessoas autistas podem apresentar sensibilidade a determinados alimentos, o que contribui para a sobreposição de manifestações entre as condições. A associação entre autismo e TDAH também pode envolver rigidez e impulsividade, com alternância entre restrição alimentar e compulsão, além de dificuldades para reconhecer a fome e a saciedade e regular as emoções.
O tratamento deve envolver uma equipe multiprofissional, com psiquiatra, psicólogo e nutricionista especializado em transtornos alimentares. Conforme a necessidade de cada pessoa, podem participar também profissionais de educação física, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. O acompanhamento profissional pode ajudar a identificar os sinais de fome e saciedade, organizar rotinas e desenvolver estratégias de regulação emocional.
Quando a pessoa utiliza medicamentos para TDAH que podem reduzir o apetite, a equipe médica deve avaliar a dosagem e os horários de administração para equilibrar os efeitos terapêuticos e a alimentação.
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