28 de setembro de 2026

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Krícis Heather Torres, médica de 33 anos, recebeu em maio deste ano o diagnóstico de autismo, após mais de uma década buscando explicações para sintomas como cansaço persistente e sensibilidade a ruídos, cheiros e texturas. Antes disso, foi diagnosticada com depressão e transtorno de ansiedade generalizada e passou por diferentes profissionais, tratamentos e mudanças de cidade. Formada em cirurgia geral em 2020, ela havia planejado seguir para a subespecialização em urologia.

Segundo o G1, a percepção dos sinais se intensificou após a residência, quando estímulos do ambiente hospitalar começaram a interferir em sua rotina. Os alarmes de equipamentos no pós-operatório e os cheiros do ambiente esterilizado estavam entre os fatores que provocavam desconforto. Depois do diagnóstico, o hospital permitiu que ela utilizasse fones de ouvido durante os procedimentos, o que reduziu parte da exposição ao ruído, mas não eliminou o desgaste associado ao trabalho. Durante os plantões, ela também passou a ignorar necessidades básicas, como comer, beber água e ir ao banheiro.

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Após a avaliação, Krícis passou a interpretar experiências anteriores de outra maneira e decidiu deixar a atuação em cirurgia. “É um processo difícil porque você se pergunta: como passei a vida toda sem saber disso? Isso muda a forma como eu enxergo a minha vida, como eu entendo algumas das coisas que eu vivi. Mas, ao mesmo tempo, é um alívio porque eu achava que era algum exagero meu, que eu tinha que aguentar”, disse.

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