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Faz parte de mim resistir a mudanças; preciso de rotinas. Como enfrentar a perda de alguém tão querido quando tudo o que conheço é o medo da mudança? Como conviver com a ausência de uma das pessoas mais importantes da minha vida? Como explicar a alguém como eu que aquela pessoa que esteve ao meu lado não vai voltar? Mentir ou ocultar a verdade não resolve.
Os dias passam e as horas correm, mas onde você está? Estou aqui, pronta, esperando. Ouvi cochichos de que você morreu — o que isso significa? Morte? Não entendo. Sinto angústia. Quando você voltará?
Uma nuvem escura pairou sobre mim e deixou meus dias nublados e tristes. Passo horas esperando você; espero ansiosa pela noite, na esperança de sonhar com você. Não me preparei para isso, mas aconteceu: nos separamos. Já faz quatro meses que você partiu, e eu continuo me esforçando para fazer minha vida valer a pena e não decepcionar você.
Você foi meu maior reforçador; por você, eu buscava sempre fazer o meu melhor, tentar acertar e ver o seu sorriso. Hoje, preciso aceitar uma nova realidade e aprender a viver sem você, mesmo que meu entendimento do mundo seja diferente do de vocês.
Não me escondam nada. O fato de eu ser autista faz com que minha mente seja muito aguçada. Percebo tudo ao meu redor, inclusive quem está faltando. Explique-me a verdade. Talvez eu pergunte várias vezes o que você acabou de me explicar ‒ tenha paciência. Se está cansativo para você, imagine para mim, que estou completamente perdida.
Tente mudar o meu foco, pois esta situação está sendo muito dolorosa para mim. Talvez eu fique muito desorganizada e angustiada. Entenda: estou sofrendo e não consigo desabafar.
Infelizmente, algumas perdas na vida são inevitáveis, e eu, como todo mundo, preciso aprender a aceitar o que não pode ser mudado. Dedico esta carta à minha querida tia Hilma, que hoje é a estrela mais brilhante do céu. Continuo seguindo suas preciosas lições e espero, de coração, que continue se orgulhando de mim.
Roseli Claro





