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O podcast Introvertendo, feito por autistas adultos e voltado a discutir vivências no espectro, publicou nesta sexta-feira (13) o episódio 291, intitulado Autismo e Comorbidades. A conversa contou com a participação de Bruno Frederico Müller e Izabella Pavetits, que receberam como convidadas a médica Júlia Vitória e a psicóloga Kaoma Aleixo, ambas autistas, para discutir a relação entre autismo e outras condições clínicas que podem coexistir com o diagnóstico.
Durante o episódio, as participantes explicaram o conceito de comorbidade e como ele aparece no contexto do autismo. Júlia Vitória afirmou que o termo é usado quando duas ou mais condições ocorrem simultaneamente. “Comorbidade é quando a gente tem um transtorno ou uma doença que vem junto de uma outra, então é quando eu tenho duas ou mais condições que coexistem”, explicou.
Segundo a médica, alguns quadros são recorrentes entre pessoas autistas, como transtornos de ansiedade, transtornos de humor e o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Ela destacou que diferentes estudos apontam alta frequência dessa associação. “No caso do autismo a gente tem com muita frequência, por exemplo, TDAH, transtornos de ansiedade, transtornos de humor”, afirmou.
A convidada também comentou que algumas condições não são necessariamente classificadas como comorbidades, mas aparecem com frequência entre autistas, como alterações neurológicas ou questões gastrointestinais. “As comorbidades intestinais, então as intolerâncias alimentares, a síndrome do intestino irritável, todas essas condições são mais recorrentes, mas não necessariamente comorbidades, elas são uma condição associada”, disse.
Outro ponto abordado no episódio foi o diagnóstico tardio, especialmente entre mulheres autistas. Júlia afirmou que o mascaramento social pode dificultar a identificação do autismo ao longo da vida.
“As mulheres têm um melhor desempenho na camuflagem social, que é o mascaramento, e todo esse esforço para mascarar comorbidades acaba levando ao diagnóstico tardio”, explicou.
Ao longo da conversa, os participantes também relataram experiências pessoais relacionadas a diagnósticos e comorbidades. Bruno Frederico Müller contou que recebeu primeiro o diagnóstico de depressão ainda na adolescência e só décadas depois teve o diagnóstico de autismo confirmado. “No meu caso, o diagnóstico que veio primeiro foi da comorbidade, que foi depressão com 12 anos. Antes disso, eu já frequentava psicólogos desde os seis anos de idade, mas ninguém entendia o que se passava comigo”, relatou.
A psicóloga Kaoma Aleixo também falou sobre o próprio processo de diagnóstico, que envolveu diferentes etapas ao longo da vida. Ela explicou que descobriu na vida adulta que havia sido diagnosticada com altas habilidades ainda na infância, informação que não lhe havia sido comunicada. “Depois de adulta eu fui descobrir que o meu primeiro diagnóstico, que foi de altas habilidades, eu tinha sido diagnosticada com 12 anos e os meus pais não me contaram”, afirmou.
O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas de podcast e streaming de música, como Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Amazon Music e CastBox, ou no player abaixo, além de uma versão em vídeo disponível no YouTube do NAIA Autismo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.
Canal Autismo





