25 de fevereiro de 2026

Tempo de Leitura: 2 minutos

O professor e pesquisador Luciano de Jesus Gonçalves lançou o livro “Crônicas espectrais, notas sobre o TEA”, obra em que transforma a experiência de um diagnóstico tardio de transtorno do espectro do autismo (TEA) em reflexão literária e social. Doutor em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo (USP) e docente do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) desde 2014, ele utiliza a escrita como espaço de elaboração pessoal e diálogo público sobre identidade, pertencimento e vida profissional.

Parte desse percurso foi compartilhada em artigos publicados no site da jornalista Mariana Kotscho. Em “Volta às aulas: e agora, professor autista?”, Luciano aborda os desafios e estratégias no retorno ao ambiente escolar após o diagnóstico, refletindo sobre o exercício da docência a partir de uma nova compreensão de si. Já em “Tudo bem! Ele é autista!”, ele escreve sobre o impacto da revelação no convívio social e familiar, descrevendo o processo de investigação clínica e a reorganização de sua trajetória pessoal e profissional.

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Livro: Autismo — Não espere, aja logo!

Ao perguntar o que teria sido diferente em sua trajetória, caso tivesse recebido o diagnóstico na adolescência, o professor Luciano Gonçalves foi contundente: “Tudo seria diferente. O diagnóstico precoce, a informação confiável e o tratamento específico para cada prejuízo que constitui uma pessoa dentro do espectro resultam, felizmente, em qualidade de vida. Sem querer lamentar as condições do meu passado, hoje, espero visibilizar temas em torno do TEA para que mais e mais adolescentes não passem pelas mesmas dificuldades que passei. Devemos aproveitar os avanços médicos, psicológicos, acadêmicos na defesa de uma sociedade mais diversa e inclusiva.”, argumentou à reportagem da Revista Autismo.

Para além do relato clínico

No livro, Luciano mistura crônica, ensaio e referências literárias para ampliar o debate para além do relato clínico. O título dialoga com a noção de espectro tanto no campo neurológico quanto no poético, sugerindo múltiplas camadas de interpretação. Ao comentar o diagnóstico, ele afirma: “O diagnóstico foi um presente. Se mudou algo, foi para melhor”. A obra também toca em temas como sobrecarga sensorial, rigidez cognitiva, ansiedade e o papel da literatura como ferramenta de elaboração subjetiva.

A obra “Crônicas espectrais, notas sobre o TEA” pode ser encontrada no site da Editora Patuá e na Amazon.

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Editor-chefe da Revista Autismo, jornalista, empreendedor.

Autonomia, qualidade de vida e autoafirmação: reflexões a partir do Autism-Europe International Congress 2025

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