6 de fevereiro de 2026

Tempo de Leitura: 2 minutos

O podcast Introvertendo, feito por autistas adultos e voltado a discutir vivências no espectro, publicou nesta sexta-feira (6) o episódio 288, intitulado Autismo em Todas as Fases da Vida – parte 1. A conversa foi gravada durante o 1º Fórum Olhares que Acolhem, realizado na cidade de Montividiu, localizada no sul de Goiás, e contou com a participação do apresentador Marx Osório, ao lado do ex-integrante Tiago Abreu e da terapeuta ocupacional Danielle Carrijo.

Durante a mesa-redonda, Marx compartilhou sua experiência pessoal com o desenvolvimento infantil e o diagnóstico tardio de autismo. Ele relatou que apresentou atraso de fala na infância. “Eu demorei próximos dos dois anos ou um pouco depois dos dois anos para falar. Minha mãe fala que eu comecei a falar de uma vez, mas com gagueira, comendo algumas letras, sem conseguir formar frase inteira”, explicou.

Segundo Marx, a falta de informação sobre o autismo no interior da Bahia, onde cresceu, contribuiu para que o diagnóstico não fosse considerado. “O autismo era uma coisa muito distante da gente. Ninguém tinha esse conhecimento, então ninguém desconfiou”, disse. Ele contou que recebeu o diagnóstico apenas aos 28 anos, após conhecer o NAIA Autismo. “O prejuízo sempre existiu, sempre foi muito grande, mas as pessoas tentavam explicar de outras maneiras”, completou.

O apresentador também relembrou dificuldades vividas no ambiente escolar, especialmente relacionadas à socialização e à permanência em sala de aula. “Eu tinha muita dificuldade de ficar na sala por causa do barulho. Muitas vezes eu dava meu jeito de sair para ficar andando pela escola”, relatou. No recreio, segundo ele, era comum buscar refúgio em espaços alternativos. “Eu ficava conversando com o pessoal da biblioteca ou lendo livros, porque com as outras crianças era uma demanda social que eu não conseguia dar conta”.

Ao falar sobre aulas de educação física, Marx descreveu a frustração gerada por dificuldades motoras. “Eu sempre gostei muito de futebol, sou apaixonado, mas não conseguia jogar direito. A coordenação motora era extremamente prejudicada”, afirmou. Ele contou que frequentemente era deixado de fora dos times e lidava com comentários de colegas. Ao abordar a adolescência, relatou sentimentos constantes de rejeição e atraso em relação aos pares. “Eu sempre fiquei com a sensação de que estava cinco anos atrás dos outros”, disse.

Marx também destacou o impacto do capacitismo, inclusive dentro da família. “Existe uma negação muito grande de olhar para aquilo e dizer ‘isso é um transtorno e precisa ser olhado como tal’. Parece que admitir isso seria dizer ‘eu tenho um filho com deficiência’”, afirmou. Ele explicou que a descoberta do autismo trouxe uma mudança importante de perspectiva. “A primeira vez que eu ouvi falar de autismo sob uma perspectiva terapêutica foi quando conheci o NAIA, em 2022. Foi quando comecei a ver o autismo também por uma perspectiva positiva”, relatou.

A mesa ainda discute ainda a importância do diagnóstico precoce, os impactos da falta de suporte ao longo da vida e as diferenças na manifestação do autismo da infância à vida adulta. A segunda parte da conversa será publicada na segunda metade do mês de fevereiro.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas de podcast e streaming de música, como Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Amazon Music e CastBox, além de versão em vídeo no YouTube do NAIA Autismo. O Introvertendo também oferece transcrição dos episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

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