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Em 2025, verificamos que a inclusão de pessoas autistas no mercado de trabalho tornou-se um tema mais presente no planejamento de áreas de Diversidade, Equidade e Inclusão.
Entretanto, na prática, muitas empresas abrem somente vagas para perfis altamente elaborados, o que restringe uma maior equidade de oportunidades para pessoas com todos os perfis dentro do espectro. Acho que esta questão é a mais importante para quem atua na inclusão de pessoas autistas e deve nortear esforços de toda a sociedade.
Esse cenário é agravado com o avanço da inteligência artificial que tem eliminado atividades de média complexidade, funções que historicamente eram uma excelente opção para pessoas que estavam iniciando sua vida profissional. Dessa forma, o mercado de trabalho está reduzindo drasticamente um espaço de transição para um aprendizado gradual e mais tolerante para pessoas em início de carreira.
Esse movimento de foco total em alta performance, não se dá especificamente para as pessoas autistas, atinge as pessoas neurotípicas também. O sistema produtivo atual tem adoecido pessoas neurotípicas e neuroatípicas. Em 2025, boa parte dos trabalhadores no Brasil relataram sintomas de exaustão relacionados ao trabalho. Cerca de 30% dos trabalhadores tiveram um diagnóstico de burnout (síndrome resultante de estresse crônico mal gerenciado no trabalho), o que aponta um grave problema de saúde mental. Essa exaustão emocional impacta muito mais as pessoas autistas e por isso temos que olhar com muito cuidado a questão do burnout, já que ele tem um custo emocional gigantesco para as pessoas autistas.
Apesar deste meu olhar um pouco pessimista, mas realista, acredito fortemente que há esperança, pois muitas grandes empresas já redesenham seus processos buscando receber pessoas com diferentes perfis e necessidades de suporte. Posso testemunhar centenas de pessoas incluídas com cuidado, profissionalismo, acolhimento e consequentes resultados efetivos, com profissionais iniciando sua carreira e se mantendo no mercado de trabalho. Mas é importante refletir que esse problema não pode ser apenas das pessoas autistas ou das empresas. Neste ano de eleições, precisamos eleger aliados reais ao tema e não políticos que apenas apareçam no dia 2 de abril para fotos, mas que se comprometam com ações efetivas e investimentos em políticas públicas para empregabilidade e inclusão de todo espectro.
Marcelo Vitoriano





