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Disfunções sensoriais e confecção de atividades

28 de fevereiro de 2022

Tempo de Leitura: 2 minutos

Por Profª Claudia Moraes

Vice-presidenta da ONDA-Autismo; Professora; Pedagoga, Especialista na Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado;  Mestranda em Educação com Especialização para Formação de Professores

Estímulos táteis considerados aversivos podem reprimir a socialização de forma considerável ou desencadear estereotipias. Em alguns casos, movimentos repetitivos podem ser uma forma de buscar alívio de sensações aversivas causadas pela Hipersensibilidade Sensorial.

Academia do Autismo

Amo o meu trabalho e me dedico a ele com afinco, tanto no preparo das aulas como nos detalhes de cada atividade que confecciono. Minhas (meus) alunas (os) sabem o quanto procuro para passar dicas, apoiar o trabalho delas (deles) e transferir meus conhecimentos de maneira clara, afinal conhecimento compartilhado é benefício para os autistas nas salas de aula e consultórios. Passo tudo aquilo que aprendi a duras penas, até aquilo que aprendi na base do erro/acerto, e passo sem reservas, de maneira desprendida. 

Desde 2020, ano em que a pandemia me fez afastar das salas de aula (como todos), tive a oportunidade de observar mais as atividades que professores postam nas redes sociais, e refletir bastante em cima de algumas ideias.  

Gostaria então, de passar uma dica quanto a questões sensoriais no autismo e a confecção de materiais estruturados.

A maioria dos professores que tem alunos autistas sabe o quanto é importante para a confecção de materiais individualizarmos, adaptarmos currículos, cuidarmos da qualidade e entendimento das imagens… isso é fato. Mas não vejo muito a preocupação com a parte sensorial dos alunos, para quando forem manusear e utilizar esses materiais. 

Ao confeccionar, procuro me colocar no lugar do aluno autista: eu iria gostar disso? Eu me importaria de tocar naquilo? Isso pode me machucar? Isso é irritante? 

Cuidados que tenho com base nos déficits sensoriais que alguns alunos podem apresentar e nos meus próprios (não suporto algumas texturas e sons), então não utilizo nas minhas atividades isopor, por exemplo… além do toque poder ser irritante, o isopor pode se quebrar facilmente e não atender o critério de durabilidade. Tenho o cuidado de encapar as atividades em que uso papel paraná ou papelão, assim como também encapo as caixas que contenham escritos, pois podem interferir no critério clareza para o entendimento do aluno, como também no critério de estética. Elimino qualquer ponta, fio, ranhura… esse esmero atende o critério de segurança. Uma atividade bonita e bem cuidada para oferecermos ao nosso aluno, atende o melhor dos critérios: a afetividade.

Estou dizendo com isso que todos os alunos autistas não devam nunca ter contato com esses materiais? Não!

Estou dizendo que na hora de utilizarmos uma atividade pedagógica estruturada não é bom que tenham exceto, se houver certeza absoluta que o aluno não se incomodará, pois, o déficit sensorial pode comprometer o engajamento e a conclusão da tarefa. 

Pensar bastante antes de escolher as matérias-primas para as atividades é sempre muito importante.

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