Por

Selma Sueli Silva

Jornalista e relações públicas, diagnosticada com autismo, autora dos livros "Minha Vida de Trás pra Frente", "Dez Anos Depois", "Camaleônicos" e "Autismo no Feminino", mantém o site "O Mundo Autista" no Portal UAI e o canal do YouTube "Mundo Autista".

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Acabei de receber o diagnóstico: meu filho é autista!

18 de março de 2022Acabei de receber o diagnóstico: meu filho é autista! — Canal Autismo / Revista AutismoCreative Commons

Tempo de Leitura: 3 minutos

Perdi as contas de quantas vezes ouvi: “Acabei de receber o diagnóstico: meu filho é autista!”. A notícia de que seu filho é autista e está no TEA é resposta para muitas dúvidas. Entretanto, é também, ponto de partida para inúmeros questionamentos. Alguns pais choram, outros sentem-se decepcionados. Outros, ainda, ficam completamente perdidos. Assim, o impacto emocional é inegável.

Academia do Autismo

Certamente, ninguém imagina ter um filho diferente de um padrão pré-concebido de normalidade. E se não imagina, não se prepara. Não se preparando, se surpreende. Mas, esse preparo anterior seja essencial. Contudo, ele passa a ser no pós-diagnóstico.  

Entretanto, é preciso se dar conta de que é possível, termos filhos competentes e autônomos. Para além do autismo. Quando o diagnóstico vem na infância, os desafios no desenvolvimento podem ser vencidos com estímulos. É hora de nos reunirmos com o médico e determinarmos as possíveis intervenções.

E agora?

Normalmente, as primeiras intervenções vêm com fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicóloga. Há casos em que a fisioterapia, educador físico, musicoterapia são indicados também. Chegamos ao segundo passo, solicitar ao médico uma análise das condições coexistentes. Ou comorbidades como essas condições são conhecidas.

Dessa maneira, evitamos colocar tudo que acontece com nosso filho na conta do autismo. E, certamente, somos capazes de direcionar de forma assertiva as intervenções. E o uso de medicamentos, se for o caso. O autismo em si, não é uma doença. É a característica de quem possui cérebro neurodivergente – aquele que cria sinapses/conexões entre os neurônios, por meio de estímulos. Como se tivesse que criar conhecimento e habilidades motoras a partir de um ‘passo a passo’.

Devido ainda, às características do cérebro neurodivergente, há outras habilidades que já vem praticamente prontas para os autistas. Por exemplo, memória privilegiada para algumas questões, facilidade em alguns campos do conhecimento. Esse último, pode até ser o seu talento, pois o autista quando gosta de um assunto, passa a estudá-lo à exaustão. Aliás, essa é uma boa entrada para apresentar ao aluno autista os diversos campos do conhecimento. Sob a ótica de seu interesse maior, é claro.

Meu filho é autista. Como fica a família?

Por isso, perguntas como: “Será sempre assim?” “Meu filho vai sofrer bullying?” “Não será compreendido?” “Como posso fazer para ajudar logo?” “Quando ele vai falar?” são naturais mais trazem muito mais ansiedade ao processo. O que costuma não ser positivo.

Melhor é abandonar o padrão ofertado pela sociedade. Então, você debruça o olhar sobre seu filho. Joga luz em suas habilidades e não em suas limitações. Os pais irão, neste primeiro momento, nortear o caminho para que o filho consiga fazer emergir, o máximo de seu potencial. E não o potencial do menino A ou B.

A pior escolha é a negação do diagnóstico. Isso não faz as características do TEA desaparecerem e trazem sofrimento aos nossos pequenos. Além, é claro, de inibir ou retardar, as intervenções e estímulos necessários desde o diagnóstico. Seu filho vai sobreviver. Claro que vai. Autismo não é doença. Mas não vai alcançar grande parte da funcionalidade necessária à vida adulta. Eu e Sophia que o digamos!

Acabei de receber o diagnóstico: meu filho é autista!
É preciso cuidar de quem cuida.

É importante ainda, cuidar da saúde mental e emocional de toda a família. Alguns estudos demostram que o TEA pode gerar, nos pais da criança, sentimentos de baixa autoestima, culpa, perda de confiança no futuro. E até mesmo, estresse conjugal, crises de ansiedade e pânico, problemas de sono e redução de renda familiar. Ou seja, a família passa a gastar dinheiro com terapias e eventuais medicações. Além do fato de que um dos pais, comumente as mães, ou reduz carga horária de trabalho ou pede demissão para se dedicar totalmente à criança.

Além disso, muitas vezes, o marido abandona a família ou se afasta das responsabilidades exigidas de toda a família. Certamente, essa atitude redobra as demandas de todos no lar. Esse fato é lamentável. Algumas pesquisas evidenciam que um casamento sólido e solidário, associado a compreensão da família em seu entorno, fortalecem o relacionamento. E o mais importante: tornam os tratamentos mais eficazes e duradouros para esta criança com dentro do TEA.

É preciso que a sociedade entenda o mundo das diferenças como rico em possibilidades para a criatividade necessária ao avanço da humanidade. E então? Vem com a gente construir uma nova realidade de inclusão!

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