21 de agosto de 2026

Tempo de Leitura: 2 minutos

O podcast Introvertendo, feito por autistas adultos e voltado a discutir vivências no espectro, publicou nesta sexta-feira (21) o episódio 311, intitulado Autismo e Família: O Lado Bom. A conversa contou com Gustavo Borges, João Victor Ramos e Marx Osório, e participação de Nicolas Melo, todos autistas. Os participantes discutem experiências familiares, apoio durante a infância e adolescência, diagnóstico, relações entre parentes e diferentes formas de constituição de família.

No episódio, Marx Osório relatou que o suporte recebido durante a infância veio principalmente da família materna, embora identifique características relacionadas ao autismo na família paterna. Ele afirmou que seus parentes maternos contribuíram para seu desenvolvimento durante períodos em que os pais estavam trabalhando e também o ajudaram a compreender situações de convivência social.

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Segundo Marx, parte dos familiares não compreendia seus comportamentos e os interpretava como questões de educação. Ele afirmou que chegou a sofrer bullying dentro da própria família e relatou que havia uma “cultura muito capacitista do pessoal de antigamente” que tratava determinadas características como comportamentos que deveriam ser corrigidos.

João Victor Ramos relacionou essas experiências à falta de informação sobre o autismo. “Eu acho que o desconforto vem justamente dessa falta de conhecimento prévio sobre o assunto com essa cultura capacitista”, afirmou. Para ele, essa combinação pode contribuir para dificuldades enfrentadas por pessoas autistas durante a infância e a adolescência, principalmente quando não há diagnóstico.

Nicolas Melo relatou que, durante a infância e a adolescência, tinha pouca conexão com familiares e preferia permanecer em casa. Ele contou que era levado a festas e encontros familiares mesmo quando não queria participar. O participante também falou sobre mudanças na configuração familiar após a perda de parentes próximos. Nicolas relatou que, depois dessas rupturas, passou a viver de forma independente e afirmou: “eu fui ter a minha própria família, que acabou sendo eu”.

Marx Osório discutiu a definição de família para além do parentesco. Segundo ele, família pode ser formada por pessoas com quem se pode contar em diferentes situações. “A definição de família tem que ser aqueles com quem a gente pode contar independente da situação”, afirmou.

Marx também comentou que novos diagnósticos de autismo na família contribuíram para que alguns parentes passassem a compreender o tema de outra maneira. Ele relatou que seu filho mais velho, Fernando, recebeu diagnóstico aos 2 anos e, nesse mesmo contexto, outros familiares passaram a falar sobre terapias e acompanhamento de crianças autistas.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas de podcast e streaming de música, como o Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Amazon Music e CastBox, ou no player abaixo, além de uma versão em vídeo disponível no YouTube do NAIA Autismo. O Introvertendo também possui transcrição de seus episódios e uma ferramenta em Libras, acessível para pessoas com deficiência auditiva.

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