25 de maio de 2026

Tempo de Leitura: 2 minutos

Uma reportagem do jornal O Globo, publicada nesta segunda-feira (25), indica que o aumento no número de estudantes autistas nas escolas brasileiras tem ampliado debates sobre inclusão e acesso à educação, especialmente na rede privada. Dados do Censo Escolar mostram que a quantidade de alunos com diagnóstico de autismo passou de cerca de 294 mil, em 2021, para mais de 1,2 milhão em 2025, superando pela primeira vez o número de estudantes com deficiência intelectual na educação especial.

A servidora pública Raíssa Carolina Peixoto relatou ter recebido quatro recusas ao tentar matricular o filho de 3 anos, diagnosticado com autismo nível 2, em escolas da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo ela, algumas instituições alegaram falta de vagas ou ausência de mediador em período integral. Após uma das negativas, ela denunciou o caso ao Ministério Público. “A última escola foi a gota d’água. Estava tudo certo, mas quando informamos o diagnóstico do meu filho o tom da conversa mudou. Falamos do desejo de colocá-lo no horário integral, e a escola disse que, para isso, teríamos de pagar o mediador, que lá era normal os pais arcarem com os profissionais de apoio”, afirmou.

Publicidade
Genioo

A legislação determina que estudantes com deficiência ou autismo não podem ser recusados pelas instituições de ensino, que também devem fornecer apoio especializado quando houver necessidade comprovada. Por outro lado, representantes do setor educacional afirmaram que o crescimento dos diagnósticos tem gerado dificuldades estruturais e financeiras para as escolas, principalmente em relação à contratação de mediadores e à formação de profissionais.

A professora Lívia Mafra, mãe de uma criança com síndrome de Pitt-Hopkins, também relatou dificuldades relacionadas à inclusão escolar. Ela contou que trabalhou em uma escola privada voltada à inclusão, mas afirmou que havia limitações na comunicação de informações sobre os alunos às famílias.

“Eu seria a responsável pelos relatórios mensais das crianças em situação de inclusão para as famílias. Pensei: ‘Que escola maravilhosa’. Na prática, era completamente diferente. Tudo o que eu escrevia era cortado ou alterado, me diziam que eu havia colocado ‘detalhes demais’. Como mãe de uma criança não verbal, sei o quanto cada informação importa para a família, e eu simplesmente não podia dizer a verdade. Fui demitida no meio do expediente, sem nenhuma justificativa”, contou.

COMPARTILHAR:

Canal Autismo é a maior plataforma de conteúdo a respeito de autismo da América Latina e a maior do mundo em língua portuguesa.

Projeto de lei pretende substituir TGD para TEA em legislações

Mais de 5 mil carteiras de autismo são entregues em Fortaleza

Publicidade
Assine a Revista Autismo
Assine aqui a nossa Newsletter grátis
Clique aqui se você tem DISLEXIA (saiba mais aqui)