1 de janeiro de 2026

Tempo de Leitura: 2 minutos

Recentemente, uma conversa sobre seletividade alimentar com meus amigos me inspirou a escrever este texto. Mas, afinal, o que é isso?

A seletividade alimentar é uma condição que reduz drasticamente o leque de alimentos que uma pessoa consegue ingerir. As razões são variadas, muitas vezes relacionadas a questões sensoriais — como textura (mole, crocante, cozida), cor, cheiro — ou até mesmo ao tipo de recipiente em que a comida é oferecida (prato raso, prato fundo, tigela, guardanapo, entre outros). É essencial que as pessoas entendam que isso não é frescura.

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Aos dois anos de idade, eu literalmente só bebia leite. Segundo meus pais, essa foi a fase mais desafiadora da minha criação, com todo o foco voltado para a alimentação. Após inúmeras tentativas com diferentes alimentos, minha avó paterna recorreu a uma solução inusitada, porém necessária: ela batia vários alimentos no liquidificador com leite e colocava a mistura na minha mamadeira (sim, leitor, eu também consigo imaginar a sua expressão!). Naquele momento, realmente não havia alternativa viável.

Felizmente, foi apenas uma fase. Meus pais, com muita persistência, continuaram a me apresentar novos alimentos ao longo da infância e adolescência. Não foi fácil, mas, aos poucos, consegui me acostumar a sabores diferentes. Eles sempre ofereciam algo novo acompanhado de algo que eu já tolerava, o que me ajudou a quebrar barreiras e aceitar novas experiências gastronômicas. Como eu não gostava de praticamente nada, meus pais priorizaram opções saudáveis, na esperança de garantir vitaminas, nutrientes e um crescimento adequado — e, felizmente, funcionou.

Hoje, eu como uma variedade muito maior de alimentos, ainda que mantenha minhas preferências. Aliás, adoro cozinhar pratos com texturas e sabores diversos: panquecas americanas, batatas rústicas, mac n’ cheese, sloppy joe, bolo red velvet… a lista é longa. E, para ser sincero, vou encerrar por aqui, porque escrever isso tudo me deu vontade de preparar uma dessas delícias!

E lembrem-se: para quem vive a seletividade alimentar, é importante buscar conforto nas preferências de textura e sabor e, sobretudo, lembrar que cada pessoa é única. Isso merece respeito.

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Fotógrafo, palestrante, escritor e autor do livro Tudo o que eu posso ser, de 2017.

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