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‘Seja feliz hoje, com o que você tem hoje’, afirma Francisco Paiva Junior

Tempo de Leitura: < 1 minutoFrancisco Paiva Junior, jornalista e um dos responsáveis pela rede social Tismoo.me, focada em autismo, conversou com jornalistas do R7 em matéria publicada neste último domingo (8). Nela, Francisco, que é pai de um menino autista, abordou a iniciativa de atuar em uma startup voltada ao autismo, o ativismo e o impacto do diagnóstico para as famílias que tem um primeiro contato com o tema.

Segundo ele, o diagnóstico do filho veio em 2009, aos 2 anos de idade. “Havia pouca informação e muita coisa em linguajar técnico. A suspeita de autismo de um filho foi um susto para mim. Aos poucos você vai se informando e vendo que não é um bicho-de-sete-cabeças”, disse ele em entrevista. “O Giovani me ensinou a não criar grandes expectativas. Seja feliz hoje, com o que você tem hoje. Não agende para o futuro, para quando seu filho tiver esta ou aquela habilidade, quando ele falar, ou se conseguir ir para faculdade ou casar, ou ainda pior, para quando você fizer uma conquista de algum bem material”, completou.

Francisco também é autor do livro Autismo — Não espere, aja logo!, lançado originalmente em 2012.

Pais de autistas descobrem que também estão no espectro

Tempo de Leitura: < 1 minutoO processo de diagnóstico de autismo na infância também pode revelar características de pais e familiares. Com base nisso, a Revista Crescer publicou, na última quinta-feira (20), um conjunto de histórias de pais de autistas que descobriram também serem autistas.

O produtor Luciano D’Miguel foi diagnosticado junto com o filho e relembrou sua infância. “Meu processo de aprendizagem foi diferente. Eles estranhavam meu comportamento pois não conseguia me adaptar aos trabalhos em grupo e nem ao futebol. Mas chamava a atenção por alguns cálculos próprios, diferentes dos que professora ensinava. Só que, naquela época, você era recriminado por isso e até apanhava em casa. Achavam que eu era um gênio, superdotado, mas isso não ajudou muito”, disse.

O psiquiatra Gustavo Dória destacou o fenômeno não é o mais comum nos diagnósticos de autismo. “Em geral, acontece com os casos leves, de características sutis, que não afetam a cognição. Pelo contrário, há vezes em que os adultos apresentam níveis elevados no funcionamento do cérebro e habilidades em certas áreas. Por isso, passam despercebidos e vão ser diagnosticados na fase adulta”, destacou.

Podcast Introvertendo conversa com pais diagnosticados com autismo

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O podcast Introvertendo liberou, nesta sexta-feira (9), um episódio comemorativo ao Dia dos Pais. O host Tiago Abreu recebeu Cristiano Forte e Fábio Cordeiro, homens diagnosticados com autismo na vida adulta e também pais. As histórias contadas abordam diferentes temas relacionados a paternidade e autismo, como tratamentos, relações interpessoais, abandono parental e ativismo.

O episódio está disponível para ser ouvido em diferentes plataformas, como o Spotify, iTunes, Google Podcasts, e também no canal do YouTube do Introvertendo. Neste último caso, também há uma versão alternativa do episódio sem músicas de fundo, feita especialmente para autistas com sensibilidade auditiva.

Andréa Werner lança livro sobre os aprendizados ao lado de seu filho autista

Tempo de Leitura: 4 minutosQuando Theo, o único filho de Andréa Werner, foi diagnosticado com autismo aos dois anos de idade, em 2010, o mundo da jornalista e escritora pareceu ter virado de cabeça para baixo. Ao ouvir do médico que o menino tinha transtorno global do desenvolvimento, a sensação experimentada por ela era semelhante à de um forte soco no estômago.

Completamente sem chão, ela só queria saber se ele ficaria curado, se ficaria bem, se iria falar e ser independente. Andréa enfrentava, naquele momento, o mesmo sentimento de impotência e desconhecimento vivido por milhares de mães ao serem informadas que seus filhos têm autismo. Daquele dia até o momento em que decidiu mergulhar fundo no assunto para ajudá-lo de todas as formas possíveis, ela passou por diversas etapas, do quase luto até a descoberta de que existe vida, sim, apesar do autismo.

Capa do livro "Lagarta via pupa".

Capa do livro “Lagarta via pupa”.

A última delas resultou no livro “Lagarta Vira Pupa – A vida e os aprendizados ao lado de um lindo garotinho autista“, lançado neste mês (julho de 2016).“O livro vem para acolher e apoiar principalmente os pais, e isso vai desde a validação de todos os sentimentos vividos no pós-diagnóstico — a negação, a barganha, a aceitação — até uma palavra de conforto para os dias difíceis, terminando em dicas práticas”, explica a autora, ressaltando que sua proposta é de que a obra também seja útil para familiares e profissionais que trabalham com crianças com deficiências ou simplesmente para pessoas que queiram aprender a lidar melhor com a diversidade e criar filhos mais abertos a ela.

O livro é, na verdade, o resultado de um projeto maior sobre o qual Andréa se debruçou em 2012, dois anos após a descoberta do autismo de Theo: o blog que tem o mesmo nome do livro: Largarta Vira Pura. Para surpresa da autora, o que inicialmente tinha como objetivo ser um canal de desabafo e troca de experiências entre pais que enfrentam o mesmo problema, o blog cresceu e caminhou rapidamente. Hoje é o maior do gênero sobre autismo e deficiências no Brasil e considerado por muitos especialistas uma referência. O blog Lagarta Vira Pupa tem 100 mil usuários, 200 mil visualizações de páginas por mês, 45 mil fãs no facebook, 11 mil seguidores no Instagram e 2,5 mil inscritos no Youtube. E foram todos esses seguidores que cobraram de Andréa Werner uma ideia que ela, em seu íntimo, já vinha amadurecendo aos poucos: o desejo de escrever um livro. Como a proposta da jornalista era fazer um projeto bonito, com papel de qualidade, colorido e com ilustrações que fizessem a diferença, ela recorreu a uma prática pouco comum aos autores que lançam livro no Brasil, a do financiamento coletivo (crowdfunding).

Lançamento indepentende

“As propostas que recebi de algumas editoras apontavam para algo mais simples, então decidi bancar o livro de forma independente. Foi um frio na barriga por não saber como a iniciativa seria recebida”, conta. A resposta veio imediatamente. Uma semana após a campanha ter sido lançada, arrecadou R$ 30 mil quando o prazo proposto pelo site que abraçou o projeto era de 60 dias.

“Transformei o crowdfunding em uma “pré-venda com benefícios”, em que as pessoas podiam adquirir só o livro ou outros pacotes (o livro com um marcador com a patinha da Lola, nossa Golden Retriever, e a mãozinha do Theo”, explica. “Até hoje tem gente chorando porque ficou sem o desenho do Theo ou o marcador de livro” diz, feliz com o resultado. O livro Lagarta Vira Pupa… levou oito meses para ficar pronto e reúne alguns textos publicados no blog e outros inéditos. As ilustrações são assinadas por Kelly Vaneli, diretora de arte da empresa de entretenimento Time For Fun e responsável pelas instalações no Brasil de espetáculos como o Cirque du Soleil e musicais como Wicked.

Andréa Werner diz ter optado por mesclar textos publicados e inéditos por considerar que nem todos os seguidores a acompanham desde o início e considerava fundamental ter no livro textos escritos nos primeiros tempos de vida do blog. Para isso, a autora precisou editá-los para um formato mais atemporal e dar linearidade à obra. Ela afirma que um de seus objetivos é transformá-lo numa referência para pais que têm filhos autistas ou com qualquer deficiência, já que os obstáculos e os caminhos para enfrentarem os problemas são parecidos. “A vida não para, a gente tem que viver e dá, sim, para ser feliz após o diagnóstico de autismo. A criança está ali, viva, precisa viver. Nunca deixei de fazer nada com o Theo pelo fato dele ser autista”, defende ela.

Após seis anos pesquisando e aprendendo sobre autismo, Andréa diz ter constatado que algumas mães entendem mais sobre o transtorno do que muitos médicos. “Por isso decidi fazer essa ponte para novos pais que chegam no nosso mundo. O diagnóstico no Brasil ainda é tardio, por volta dos cinco anos, e a intervenção precoce é muito importante porque aumenta muito a chance da criança ser mais independente no futuro”, alerta a escritora, ressaltando que ainda existe muito desconhecimento sobre os sinais do autismo por parte dos pediatras.

Outra mensagem positiva que a autora pretende passar com a obra é o aprendizado e a transformação que viveu a partir da descoberta do diagnóstico do filho. “Passamos a ver o mundo de outra forma, a dar valor a coisas que realmente importam. Os autistas têm o dom de ver graça em coisas que as pessoas ditas “normais” desprezam, como as árvores balançando ao vento ou o efeito da luz do sol passando na poeira”.

Além da forma escolhida para concretizar a publicação do livro, Andréa também inova no que diz respeito à venda. A primeira tiragem de 2 mil exemplares será comercializada no próprio blog. “A forma como o projeto foi recebido, já vendendo quase 600 unidades (de 2 mil da primeira edição) na pré-venda, me deu uma noção real do impacto. Minha vida está ali no livro, é um projeto super pessoal. Porisso mesmo, resolvi vender em meu próprio site”, argumenta.

O site para comprar o livro é loja.lagartavirapupa.com.br e o preço de lançamento é R$ 59,90.

MAIS SOBRE A AUTORA

Andréa Werner é mineira de Belo Horizonte, tem 40 anos, é jornalista formada pela PUC Minas e escritora. Trabalhou na multinacional Unilever. Só deixou o mundo das multinacionais após o diagnóstico do filho. Atualmente mora em Estocolmo, na Suécia, e está lançando seu primeiro livro no Brasil de forma independente.