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Homenagem: Nilton Salvador, um precursor

Tempo de Leitura: 7 minutos

“Os pais devem ter consciência e saber que o excesso de zelo nunca conduzirá o autista para uma educação que dê bons resultados, e o mesmo ocorre com o descaso.”*

(Nilton Salvador)

Nilton Salvador é um dos grandes espíritos que, de vez em quando, são enviados por Deus para organizar um pouco a vida de nós, seres humanos comuns, e desavisados das grandes verdades da vida.

Mês passado Deus o chamou de volta: o trabalho estava cumprido, ele havia colocado no caminho certo milhares de pais e mães de autistas dando-lhes esperanças, exemplos, conselhos… dando-lhes fé!

A dor que hoje sinto pela perda física desse amigo, que me tirou o chão e me moeu o coração, não é nada comparada à alegria que devem ter tido Deus e todos os amigos espirituais pelo retorno dele à verdadeira Pátria!

 

 

Nilton Salvador, ativista em prol do autismo — homenageado por Cláudia Moraes na Revista Autismo nº 11 (dez/2020).
Nilton Salvador

Devo dizer quem foi Nilton Salvador para aqueles que não tiveram a oportunidade de conhecê-lo, pessoas que são recém-chegadas à causa autista. Para esses posso dizer que Nilton foi, antes de tudo, o pai de Eros, Anna e Gabriel; também o esposo devotado de Roseli Antônia. Nascido em Santa Catarina, foi morar e amar Curitiba como poucos. Tornou-se escritor para dividir com outros pais a sua trajetória com o filho autista, Eros. E esse seu protagonismo foi um presente para nós, outros pais de autistas brasileiros, perdidos na década de 1990, com filhos que constavam numa incidência de 1 a cada 10 mil nascidos, sem publicações nacionais que nos mostrassem que não estávamos sós. Em 1993, Nilton lançou seu primeiro livro, e maior sucesso, que se chamou Vida de Autista.

Na época da movimentação pelo Projeto de Lei do Senado nº 168, de 2011, que posteriormente resultou na Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, com os autores Berenice Piana e Ulisses Batista à frente, um dos grandes alicerces foi Nilton Salvador, que se empenhou de todas as formas para que o Brasil pudesse, sim, ter a sua lei de defesa dos direitos dos autistas, o que graças a Deus se tornou realidade em 2012, o marco da história do autismo no Brasil: a Lei Berenice Piana (12764/12).

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