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Protocolo VB-MAPP

Tempo de Leitura: 3 minutosO Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program, mais conhecido pela sigla VB-MAPP é um protocolo para avaliação de pessoas com autismo utilizado dentro da Análise do Comportamento (ABA). Embora muitas famílias de quem está no espectro autista não compreendam sua necessidade, especialistas no tema garantem que essa investigação é de extrema importância para o paciente. 

É por meio dela, por exemplo, que se sabe qual o repertório do paciente e o que de fato ele sabe. Assim, será possível iniciar a ABA e fazer o tratamento adequado para alcançar sua autonomia e garantir o máximo de avanços possível. 

Como funciona?

O VB-MAPP é, sobretudo, uma avaliação baseada em marcos. Isso significa que ela analisa como o paciente está levando em consideração o desenvolvimento típico. Dessa forma, imagine que o paciente em questão seja uma criança de 5 anos diagnosticada dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante as avaliações, os profissionais envolvidos em seu tratamento podem classificá-la como alguém com desenvolvimento semelhante ao de uma criança típica de 0 a 18 meses. 

Vale ressaltar, ainda, que o VB-MAPP funciona em três níveis. São eles:

  • Nível 1: 0 a 18 meses
  • Nível 2: 18 a 30 meses
  • Nível 3: 30 a 48 meses

Essas métricas não significam que o protocolo só se aplique a crianças de até dois anos. Pelo contrário, ele pode ser utilizado até os 7 anos, mas nesse caso o marco de desenvolvimento ser de 30 meses, por exemplo. 

Outros Componentes do VB-MAPP

Uma das etapas para iniciar a análise de VB-MAPP em crianças autistas é fazer a avaliação de barreiras. Ela consiste na observação de 24 áreas que podem estar comprometendo a aprendizagem. Assim, vamos supor que os profissionais responsáveis pelo tratamento do paciente ou mesmo a família estejam falhando em ensinar algo a ele. Isso pode acontecer porque há uma barreira que só será descoberta após esse exame. 

Existe ainda a avaliação de transição – mas esse método não é tão usado no Brasil, justamente porque o ensino aqui é diferente dos Estados Unidos, de onde o VB-MAPP foi importado. Essa etapa, basicamente, é como tirar a criança da escola de ensino especial e fazer sua inclusão no ensino regular. Para que isso ocorra de forma a melhorar o aprendizado e não causar danos ao paciente, é realizada a avaliação de transição.

Outro importante instrumento para o VB-MAPP é a Task Analysis (lista de tarefas, em português). Por meio dela, é possível pegar uma habilidade específica e dividi-la em pequenas partes que podem ajudar o profissional a compreender o processo e conquistar um objetivo específico – ou seja, a habilidade maior. 

Chegamos ao último, mas não menos importante, componente do Protocolo VB-MAP: a Elaboração do PEI – Plano de Ensino Individualizado. Ao contrário do que muitos possam achar, o PEI deve ser construído em conjunto, entre escola, família e os terapeutas que acompanham a criança. E é exatamente nessa elaboração que o protocolo VB-MAPP entra como um diferencial, norteando o plano de tratamento e desenvolvimento.

No contexto terapêutico, ele também é construído com base nos resultados da avaliação e é um documento no qual constará as diretrizes que vão nortear o plano de tratamento e desenvolvimento.

Em ambos os contextos, o PEI descreverá a toda equipe envolvida quais são os objetivos de curto, médio e longo prazo no desenvolvimento, como chegar a estes objetivos e quais as adaptações são necessárias para alcançar cada marco no desenvolvimento.

Importância

O VB-MAPP é normalmente aplicado pelo terapeuta antes de iniciar a ABA. No entanto, vale lembrar que mesmo que o profissional seja experiente, é essencial que ele aplique a avaliação antes das intervenções. De acordo com o psicólogo Fábio Coelho, especialista em autismo, é esse processo que ajuda a identificar o fato do paciente ter dificuldades em compreender ou mesmo responder a algumas demandas. “Muitas vezes, pela falta de uma compreensão adequada do que causa determinado comportamento, atuamos de forma equivocada como pais, educadores ou terapeutas de pessoas com TEA”. 

Ele ainda reforça a importância do protocolo na ABA. “O Programa é, na minha opinião, essencial pois serve como um sistema de avaliação e rastreamento para avaliar a linguagem, habilidades motoras, sociais e acadêmica de crianças com autismo ou outras deficiências de desenvolvimento. O VB-MAPP é um dos principais protocolos de avaliação da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e é amplamente utilizado para avaliação individualizada e planejamento terapêutico/educacional”. 

Créditos: Gabriela Bandeira, Chaloê Comim.

Fonte: Academia do Autismo, IEAC

Crédito da Imagem: Reprodução Academia do Autismo.

ESA é destaque no Summit Êxito, em painel sobre empreendedorismo e autismo

Tempo de Leitura: < 1 minutoUm dos destaques do evento Summit Êxito deste ano, que aconteceu 100% online, de 20 a 28 de novembro de 2021, foi um painel sobre empreendedorismo social e autismo, que contou com os coordenadores do programa de Empreendedorismo Social com foco no Autismo (ESA) do Canal Autismo.

Conduzido por Nayara Mota Oliveira Souza, coordenadora da Câmara de Diversidade e Inclusão do Instituto Êxito de Empreendedorismo, empresa organizadora do evento, o painel “Autismo, mercado de trabalho e empreendedorismo: mundo que se conversa” teve a presença de Luiz Trivelatto, head de mentoria do ESA, Marcelo Vitoriano, colunista da Revista Autismo e diretor da Specialisterne Brasil e América Latina e Francisco Paiva Junior, editor-chefe e cofundador da Revista Autismo.

Num papo descontraído e intimista, os convidados falaram da importância de empreender com propósito, por um impacto social, e da relevância de dar oportunidade para que autistas empreendam. O mercado de trabalho para pessoas com autismo foi o principal assunto da conversa, falando principalmente da valorização do potencial dessas pessoas — sejam autistas ou não. O painel foi exibido no dia 27.nov.2021, às 13h00.

O ESA tem o apoio do Instituto Mauricio de Sousa, Insper, Fiap, Specialisterne e da Trivelatto Empreendedorismo.

Assista ao painel a seguir

EUA publica nova prevalência de autismo: 1 a cada 44 crianças, com dados do CDC

Tempo de Leitura: 2 minutos

Uma em cada 44 crianças aos 8 anos de idade nos Estados Unidos é diagnosticada com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), segundo relatório do CDC (Centro de Controle de Doenças e Prevenção), publicado hoje (2.dez.2021). O número — com dados de 2018 — representa mais um aumento de 22% em relação ao estudo anterior (1 para 54 — divulgado em 2020). Numa transposição dessa prevalência (de 2,3% da população) para o Brasil, teríamos hoje cerca de 4,84 milhões de autistas no país. Porém, ainda não temos números de prevalência de autismo no Brasil.

Um segundo estudo do CDC, também publicado hoje, trouxe outra perspectiva: depois de olhar para crianças de 4 anos nas mesmas 11 comunidades analisadas nos EUA, no primeiro relatório, os pesquisadores descobriram que houve progresso na identificação precoce de crianças com autismo. Essas crianças tinham 50% mais chances de receber um diagnóstico de autismo ou classificação de educação especial até os 4 anos, quando comparadas às crianças de 8 anos.

“Os resultados desses dois novos relatos de prevalência [de autismo] — com resultados variados em diferentes configurações geográficas e grupos sociodemográficos — refletem os muitos desafios que pesquisadores e autoridades de saúde pública têm ao tentar determinar a verdadeira prevalência [do autismo]”, disse Andrew Adesman, chefe de pediatria comportamental e de desenvolvimento do Cohen Children’s Medical Center, em New Hyde Park, Nova York (EUA).

Foto: divulgação / CDC

Dados de 2018

A nova estatística foi baseada em dados de 2018 de 11 comunidades da rede de Monitoramento do Autismo e Deficiências do Desenvolvimento (ADDM). As taxas de autismo nessas comunidades variaram de 1 em 60 (1,7%) no Missouri a 1 em 26 (3,9%) na Califórnia.

Essas diferenças podem ser devido à forma como as comunidades identificam crianças com autismo, de acordo com o CDC, que observou que algumas comunidades também têm mais serviços de saúde e educação para crianças com autismo e suas famílias.

“O diagnóstico e o tratamento precoces do autismo otimizam a capacidade das crianças de aprender, envolver-se com os outros e desenvolver independência”, explicou Deborah Bilder, professora de psiquiatria infantil e adolescente e pediatria do Huntsman Mental Health Institute da University of Utah Health, em nota à imprensa. Ela ainda completou: “É por isso que esses estudos são tão importantes. Eles não apenas nos ajudam a ter uma ideia melhor da crescente prevalência do autismo, mas também podem melhorar políticas, serviços e pesquisas direcionadas a ajudar crianças e suas famílias afetadas pelo autismo”, ressaltou ela.

Pesquisadores também encontraram diferenças raciais e étnicas persistentes no diagnóstico de autismo. Em várias das 11 comunidades, menos crianças hispânicas foram diagnosticadas com autismo do que crianças negras ou brancas. Além disso, crianças negras com autismo eram mais propensas a serem diagnosticadas com deficiência intelectual do que crianças brancas ou hispânicas com autismo.

O estudo original (em inglês) pode ser acessado neste link, no site do CDC.

EUA publica nova prevalência de autismo: 1 a cada 44 crianças, segundo CDC — Canal Autismo / Revista Autismo

Lucas Ksenhuk faz exposição no Shopping Frei Caneca, em SP

Tempo de Leitura: 2 minutos

Visitação é gratuita e vai até dia 9.jan.2022

O artista plástico Lucas Ksenhuk (autor da capa da última edição da Revista Autismo, nº14) está expondo parte de sua obra no Shopping Frei Caneca, em São Paulo (SP), próximo à Avenida Paulista. Intitulada “Natureza em Traços Coloridos”, a exposição abriu ontem (23.nov.2021) e segue até o dia 9.jan.2022, com entrada gratuita.

Diversas telas do artista, de apenas 20 anos, podem ser vistas no espaço da exposição, que fica no piso 1 do shopping, todas mostrando seu inconfundível estilo que “assina” suas obras com muita autenticidade e personalidade. Segundo ele, esta exposição “é um tributo aos elementos naturais existentes no mundo a partir de sua perspectiva”.

“Esta exposição é um convite de Lucas para que você se lembre da importância de observar sempre e novamente. Tanto na arte, quanto na natureza, não é possível ver tudo de uma vez. A cada olhar, pode-se notar detalhes novos e surpreendentes. A grande beleza está aí, sempre haverá algo que não se viu anteriormente”, diz a explicação afixada no local. Vale ver e se deliciar com tanto talento!

Serviço

Local: Shopping Frei Caneca, piso 1 (veja o mapa)
Preço: gratuito
Data: de 24.nov.2021 a 09.jan.2022
Artista: Lucas Ksenhuk (Instagram: @lucasksenhuk.art)
Exposição: “Natureza em Traços Coloridos”

Pais e profissionais inauguram Ico Project em Curitiba

Tempo de Leitura: < 1 minutoOntem (10.nov.2021) foi inaugurado, em Curitiba (PR), o Ico Project, com a missão de “incluir crianças e adolescentes com autismo nos mais diversos exercícios físicos possíveis e mostrar resultados diariamente no tratamento do espectro”. “Entendemos que nosso centro esportivo pode beneficiar não apenas os jovens, mas os pais que podem encontrar no nosso centro um espaço de acolhimento e bem-estar”, explicaram Emiliano e Elyse Matos, o casal idealizador do projeto que acaba de virar realidade.

Os dois idealizam um centro esportivo com profissionais especializados. E dessa forma surgiu o Ico Project, um centro de desenvolvimento físico focado em crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). O nome foi inspirado no filho, Enrico, mais conhecido como Ico, diagnosticado com autismo aos 3 anos.

Luna ABA

Em parceira com a Luna ABA, no espaço do Ico Project será ofertado diversos serviços terapêuticos de habilidades continuadas, para autistas acima de 7 anos de idade, parar treinamento de atividades de vida diária, comunidade, habilidades sociais e vocacionais. O espaço conta ainda com uma “casa-modelo”, com cozinha, sala, quarto, enfim, tudo que é preciso para simular as necessidades cotidianas de cada um.

Acompanhe as publicações do Ico Project nos Instagram (@icoproject) e na página deles no Facebook. Tema mais informações no site icoproject.com.br.

ABA: entendendo o comportamento para mudá-lo

Tempo de Leitura: 3 minutos

Como desconstruir o comportamento e entender o motivo dele acontecer

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA, da sigla em inglês Applied Behavior Analysis) é uma ciência de aprendizagem cujas técnicas são indicadas para o tratamento de pessoas com desenvolvimento atípico, especialmente o autismo. Assim como o próprio nome diz, a ABA pode ser utilizada para modificar um comportamento inadequado e ensinar novos comportamentos para qualquer pessoa, especialmente aquelas que estão no espectro.

De acordo com a psicóloga e especialista em autismo e análise do comportamento Chaloê Comim, aplicar técnicas da ABA não é uma tarefa simples, e exige cuidado, especialização e ajuda/apoio profissional. “Ciência é para todos, mas não é algo simples e nem fácil, principalmente quando falamos de manejo de comportamento humano. É muita responsabilidade alterar o desenvolvimento de uma pessoa, porque eu posso piorar tudo se eu não souber o que estou fazendo. Aplicar ciência, como a ABA, ao desenvolvimento humano é o melhor caminho, mas exige seriedade, compromisso, estudo, ética e humanidade”.

No que diz respeito ao comportamento, é preciso trabalhar com uma série de processos que vão desde a observação do indivíduo até a criação e mensuração de estratégias específicas para modificar ou ensinar um novo comportamento. Neste artigo, vamos explicar mais sobre esse aspecto, que está abordado no material disponível para download no CIA Autismo: análise funcional/ avaliação funcional do comportamento.

O ‘ABC’ do comportamento

Um dos princípios para entender a análise do comportamento é o que chamamos de ‘ABC’ do comportamento. Termo derivado também das siglas em inglês, ele é formado da seguinte forma:

(A)ntecedent ——> (B)ehavior ——> (C)onsequence

Antecedente ——> Comportamento ——> Consequência

Basicamente, essa estrutura define a forma como todos os comportamentos funcionam. O que significa que sempre existe um antecedente – algo que antecede o comportamento – o comportamento em si é uma consequência que ocorre logo em seguida e pode se tornar um reforçador para que aquele comportamento continue acontecendo no futuro.

De um modo prático, vamos imaginar o seguinte cenário: a criança está na escola, mas não quer mais assistir a aula de matemática e resolver os exercícios. Então, ela começa a chorar e jogar os objetos da carteira no chão. Ao presenciar a situação, o auxiliar de educação inclusiva a retira da sala e leva para o pátio da escola, onde ela pode brincar. Após esse episódio, ela começa a chorar e jogar o material no chão com frequência, para conseguir sair da sala e ser levada ao pátio.

Neste caso dividimos o ABC do comportamento da seguinte forma:

ABA: Entendendo o comportamento para mudá-lo - Academia do Autismo - Canal Autismo / Revista Autismo

Sem observar esse aspecto, é impossível conseguir modificar e ensinar novos comportamentos, uma vez que a observação e avaliação do comportamento é o primeiro passo nesse processo. No material disponível, tem um modelo para observação e anotação de análise funcional para preencher.

Entendendo a função do comportamento

Seja adequado ou inadequado, todo comportamento tem uma função e acontece por um motivo. Quando o comportamento acontece para gerar uma consequência, isso significa que ele está sendo reforçado. Esse reforço pode ser:

  • Social: elogios, atenção etc
  • Tangível: sempre que se comporta daquela forma, a pessoa ganha algo que queria: um doce, um brinquedo etc
  • Se esquivar ou fugir de algum lugar ou atividade: como no caso da aula de matemática do exemplo acima
  • Reforço auto estimulatório: se acalmar, sentir uma sensação agradável. Esse reforço normalmente está ligado às estereotipias
  • Conseguir o controle do ambiente

Créditos: Gabriela Bandeira | Chaloê Comim.

Crédito da Imagem: Reprodução Portal CIA Autismo.

Projeto Parque Azul atende autistas em Goiânia neste sábado

Tempo de Leitura: 2 minutosEncontrar opções de lazer e interação inclusivas, infelizmente, ainda é uma tarefa difícil. Seja qual for a limitação da pessoa, nem todos os eventos são adaptados e prontos para recebê-las com segurança. E foi pensando em promover a interação de crianças com autismo, em um ambiente natural, além de trazer mais informação para seus familiares e acompanhantes, que a psicóloga Juliana Moura, especialista em autismo e desenvolvimento atípico criou o projeto social Parque Azul. Com realização em outras cidades, como Rio Verde (GO) e Florianópolis (SC), a próxima edição de Goiânia (GO) neste sábado, 2.out.2021, no SJ Premium Hotels, no Setor Oeste, das 9h00 às 12h00.

Totalmente gratuito, o evento é voltado para autistas e suas famílias, contando com consultorias em Análise do Comportamento Aplicada (ABA — da sigla em inglês), atendimentos psicológicos, consultorias jurídicas, orientação em saúde bucal, atendimento com profissionais das mais diversas áreas no tratamento do autismo, interação das crianças com a equipe de voluntários, acolhimento familiar com mães de autistas, sorteios e muito mais. Todas estas atividades visam ampliar a generalização dos comportamentos que as crianças aprendem nas terapias, como preconiza um dos princípios da ABA. Além de capacitar as famílias e estabelecer uma rede de apoio entre elas.

Além dos momentos de interação entre as crianças e os profissionais, o evento contará com o palestrante Fábio A. Cordeiro, autista, 41 anos, funcionário público federal e pai de dois meninos, um neurotípico e um autista. Fábio é presidente da Onda Autismo e criador da maior página de humor autista do Brasil, a @aspiesincero.

O Transtorno do Espectro do Autismo, comumente conhecido por TEA, é considerado um transtorno do neurodesenvolvimento, que acomete diretamente na interação social e comunicação, bem como em padrões restritos e repetitivos de comportamentos. Por ser um espectro muito amplo, esse transtorno também apresenta diferentes níveis, entre leve, moderado e grave e/ou severo. Não existe cura para o autismo, mas existem tratamentos que reduzem os desafios associados a este diagnóstico.

O Parque Azul conta com uma equipe de voluntários que são divididos em mães/pais de autistas, profissionais especializados e estudantes de Psicologia, Pedagogia, Educação Física, entre outras áreas afins. Toda a equipe de voluntários prescinde do devido treinamento, ministrado pela Psicóloga Juliana Moura.

Serviço

Instituto Parque Azul
Local: SJ Premium Hotels
Endereço: Rua 22, nº 122 – Setor Oeste, Goiânia – GO
Data: 02.out.2021
Horário: das 9h00 às 12h00

Projeto Parque Azul atende autistas em Goiânia neste sábado - Foto: Babi — Instagram: @babimedeirosfotografias - Canal Autismo / Revista Autismo

Foto: Babi — Instagram: @babimedeirosfotografias

Projeto Parque Azul atende autistas em Goiânia neste sábado - Foto: Babi — Instagram: @babimedeirosfotografias - Canal Autismo / Revista Autismo

Foto: Babi — Instagram: @babimedeirosfotografias

Editorial – Revista Autismo edição nº 14

Tempo de Leitura: 2 minutosHá oito anos eu aguardo para publicar esta reportagem sobre a fake news de que o mundialmente famoso jogador de futebol Lionel Messi seria autista. Conforme o tempo passava, apareciam mais e mais evidências de a notícia ser fraudulenta. Eu, sempre tentando um contato com o jogador para ouvir diretamente dele tal informação, ou da família, porém celebridades quase sempre são inacessíveis. Recorri a amigos na Argentina, Portugal e Espanha… nada. Desisti. Resolvi publicar sem ouvir o craque.

O Messi até poderia ser autista. Mas, quem teria o direito de revelar isso seria o próprio jogador, assim como fez recentemente o bilionário sul-africano Elon Musk, ao vivo, num programa de TV nos EUA. Dizer isso contra a vontade dele já é um tremendo desrespeito. Agora, inventar essa história é ainda pior. Um motivo a mais para lamentar foi isso ter tido origem no Brasil.

Numa era em que o acesso à informação nunca foi tão facilmente obtido, ironicamente, é quando mais estamos suscetíveis a fake news, a notícias intencionalmente criadas para enganar. Quase toda informação hoje pode ser verificada em poucos minutos. Porém, a ânsia por compartilhar nos meios digitais, por demonstrar saber mais ou saber primeiro que o outro, nos faz cada vez menos leitores, cada vez mais disseminadores de informação — falsa ou não — sem curadoria, sem cuidado, sem o mínimo de atenção. Mal se lê o título! Aposto que muita gente verá a capa desta edição e nem ao menos perceberá aquele “não” na manchete. Pelo contrário, irá dizer algo como “Viu que o Messi é autista? Está na capa da Revista Autismo. Eu já sabia!”, como se fosse uma confirmação. Recorro a James Hetfield numa das melhores músicas do Metallica: “triste mas verdadeiro”.

Já que mencionei a capa, tenho de destacar que foi totalmente criada e desenhada por um autista, o talentosíssimo Lucas Ksenhuk, artista que já faz ilustrações para toda edição da Revista Autismo há muito tempo. Desta vez nos brindou com uma capa digna de ser emoldurada. Um craque!

Museu na Espanha contrata autistas para atender mais de 3 mil visitantes por dia

Tempo de Leitura: 3 minutos

UM TIME DE 30 AUTISTAS

Por Francisco Paiva Junior,
com colaboração de Marcelo Vitoriano

Imagine uma empresa em que todos os seus funcionários fossem neurodivergentes, a maioria autistas. Treinados para acolher e dar informações a quem chegasse à empresa e com total empatia para com os visitantes neurodivergentes, afinal, os autistas saberiam melhor que ninguém o que é ter hipersensibilidade auditiva, por exemplo, ou outras questões que tornam o dia a dia dessas pessoas um desafio. Agora, pare de imaginar e saiba que essa iniciativa já existe! Sim, um museu na Espanha fez isso: a Casa Batlló, em Barcelona.

Casa Batlló é um museu, projeto de Antoni Gaudí (1852-1926), famoso arquiteto espanhol e figura que marcou o Modernismo catalão, mas nunca se encaixou no perfil de nenhum movimento artístico. Sua genialidade é o selo de seus edifícios e seu estilo é ímpar na história da arquitetura, com a maioria de suas obras na cidade de Barcelona — como sua obra-prima, o inacabado templo da Sagrada Família. O edifício do museu projetado por Gaudi figura na lista do patrimônio mundial da Unesco, e fica na Ilha da Discórdia (um bairro modernista da cidade), aberto para visitação e já muito envolvido com projetos sociais.

Conversamos com o espanhol Francesc Sistach, CEO da Specialisterne Espanha, que foi a empresa responsável pelo programa de recrutamento e treinamento do time de autistas do museu. A missão da Specialisterne, que é uma empresa dinamarquesa de impacto social fundada por um pai de autista, é preparar e incluir pessoas com autismo no mercado de trabalho. A filial brasileira da empresa abriu as portas no final de 2015. Hoje a empresa já tem presença em 23 países — o último deles foi a França —, tendo, no mundo todo, incluído mais de 10 mil pessoas autistas no mercado de trabalho (150 no Brasil). A meta da Specialisterne é chegar a 1 milhão!

Sistach, muito entusiasmado com a iniciativa, contou que após meses fechados por conta da pandemia de Covid-19, havia planos de o museu reabrir para visitação. “Eles já tinham uma pessoa com autismo na área administrativa, portanto já estavam muito contentes em ter um autista na equipe. Então, falamos: ‘Agora é a oportunidade de ampliar o escopo do projeto e fazer um grande trabalho de neurodiversidade!’. No princípio pairou uma dúvida se autistas seriam as melhores pessoas para interagir com visitantes do museu. Mas, para essas funções, encontramos pessoas dentro do espectro que tinham mais habilidades sociais, pois, num museu, não se exige tanta interação social, é algo mais limitado, controlado, esporádico”, explicou ele.

Com uma metodologia específica para este projeto, hoje há mais de 30 pessoas com autismo trabalhando lá e mais outras pessoas, com outras características, como TDAH e dislexia. Um dos pontos turísticos mais buscados da Espanha, recebendo em média (antes da pandemia) mais de um milhão de visitantes por ano, teve uma abertura parcial em abril, após o início do controle da pandemia e vacinação naquele país,  e veio aumentando os dias e horários de abertura gradualmente. Atualmente já abre diariamente, com três grupos alternando os turnos de trabalho.

“Está funcionando muito bem, e o discurso de cada funcionário está sempre muito bem preparado e a habilidade de trabalhar muito bem, fazendo a mesma coisa por muitas horas, dando sempre a mesma resposta, sempre muito correta e precisa. E penso que teremos uma baixa rotatividade de funcionários, evitando algo que é muito comum nesta área, pois muitos autistas não se incomodam em fazer a mesma coisa exatamente todos os dias, como é preciso num museu desses”, argumentou Francesc Sistach, que também foi responsável por implantar as filiais da Specialisterne no Brasil, Itália e outros países da América Latina. “Os autistas têm a capacidade de ficar num trabalho rotineiro por muito mais tempo”, completou ele.

Para o mês de setembro está programada uma campanha de comunicação para mostrar à sociedade a iniciativa da Casa Batlló, “Isso será muito positivo para eliminar alguns obstáculos de preconceito contra autistas. Aqui temos um museu com 30 autistas coordenando a visitação de mais de 3 mil pessoas por dia. Creio que isso vai ajudar a romper diversas barreiras mentais em todo o planeta, a respeito do amplo espectro do autismo, que é muito diverso, e que podemos pensar em muitas outras oportunidades para autistas”, contou Sistach com um sorriso de orelha a orelha.

CONTEÚDO EXTRA

André e a Turma da Mônica em: Mímica barulhenta — Canal Autismo / Revista Autismo nº 14

André e a Turma da Mônica em: Mímica barulhenta

Tempo de Leitura: < 1 minutoNa edição número 14 da Revista Autismo, André brinca de mímica com Marina, para ver quem descobre mais nomes de filmes. Acontece que o pai do Cascão, sem querer (e sem saber), atrapalhou um pouco.

Muitas pessoas autistas têm alguma disfunção sensorial, ou seja, os sentidos alterados de certa forma. Pode ser uma hipersensibilidade (“sentir” mais que a maioria das pessoas), pode ser hipossensibilidade (“sentir” menos). Nesta história, “Mímica barulhenta“, o André apresenta hipersensibilidade auditiva, ou seja, sua audição, em certos momentos e para determinadas frequências de sons pode ser mais aguçada, mais sensível, podendo até mesmo causa um incômodo tão grande que alguns autistas relatam sentir dor em determinadas situações.

Um terapeuta ocupacional é o profissional mais indicado para resolver essa questão, ou ao menos amenizar o desconforto. Neste caso do André, não houve problemas mais sérios, só atrapalhou a brincadeira mesmo e demorou um pouquinho pra Marina entender o que estava acontecendo.

Instituto Mauricio de Sousa

Graças à parceria com o Instituto Mauricio de Sousa, desde o início de 2019, publicamos em toda edição da Revista Autismo uma história em quadrinhos exclusiva do André, o personagem autista da Turma da Mônica.

André e a Turma da Mônica em: Mímica barulhenta — Canal Autismo / Revista Autismo nº 14

Messi não é autista

Tempo de Leitura: 8 minutos

Fake news foi criada no Brasil em 2013 e circula até hoje na internet

(Reportagem de capa da edição número 14, de set/out/nov.2021)

Messi jamais se declarou autista. Também nunca houve um familiar ou uma fonte minimamente próxima a ele que confirmasse esse diagnóstico. Mas, de onde saiu essa “informação”, que pode ser encontrada em milhares de sites, e como ganhou repercussão mundo afora?

Acredite! Foi uma fake news originada no Brasil. Mais que uma notícia falsa ou imprecisa, uma fake news (termo tão citado nos últimos anos e que foi considerada palavra do ano pelo dicionário inglês Collins em 2017) é uma notícia fraudulenta, criada propositadamente para enganar as pessoas e disseminar algo que interessa a seu criador, nem que seja apenas para obter mais atenção ou audiência. E, muitas vezes, o criador dissemina a fake news sem se importar se isso prejudicará a imagem de outra pessoa ou instituição.

Capa da Revista Autismo edição número 14 (set/out/nov.2021) - Canal Autismo / Revista Autismo

Capa da edição número 14.

Essa lenda urbana nasceu em 27 de agosto de 2013, quando o escritor e jornalista Roberto Amado (sobrinho de Jorge Amado) publicou em seu site, à época, o “Poucas Palavras“, um longo texto dizendo que o craque Lionel Messi “foi diagnosticado aos 8 anos de idade, ainda na Argentina, com a síndrome de Asperger”.

Amado enumerou diversas características que “provariam” que Messi é autista, como a timidez com a imprensa e a peculiaridade de sempre dar dribles e chutar a gol da mesma maneira, o que seriam indícios de padrões repetidos, típicos de um “portador da síndrome” (sim, ele ainda usou o termo “portador”!).

No mesmo texto — intitulado “Como o autismo de Messi ajudou-o a ser gênio” —, Roberto Amado destaca o famoso filme “Rain Man”, de 1988, com Tom Cruise e Dustin Hoffman, o que deixa o artigo mais atraente, e acaba por misturar pontos totalmente diferentes do espectro do autismo, comparando síndrome de savant com asperger. Uma confusão só!

Após esse diagnóstico à distância do brasileiro, a história (como toda boa fake news), depois de publicada na internet, se alastrou e ganhou o planeta.

Romário no Twitter

Poucos dias depois, em 8 de setembro de 2013, o ex-jogador Romário entrou na polêmica. Ele publicou na rede social Twitter: “Vocês sabiam que o Messi tem Síndrome de Asperger? É uma forma leve de autismo, que deu a ele o dom do foco e concentração acima de tudo e de todos. Newton e Einstein também tinham níveis de autismo. Espero que, como eles, Messi se supere a cada dia e continue nos apresentando esse belo futebol”. Em seguida, postou o link do artigo de Roberto Amado. Isso foi parar na mídia internacional e chegou a Jorge Messi, pai do craque, que disse que processaria o brasileiro. Romário, novamente via Twitter, respondeu: “Sites da Espanha divulgaram que eu havia dito que Messi tem um transtorno mental e estão fazendo sensacionalismo em cima do assunto. Divulguei uma informação que veículos no Brasil têm abordado. Até uma TV abordou o assunto. Então fica aqui a informação: de acordo com o pai do Messi, ele não tem autismo. Não sou médico para confrontar a informação. Ah, ele disse que vai me processar por isso. Pode processar à vontade”, escreveu Romário.

No dia 26 de setembro de 2013, a reportagem do UOL Esporte falou com Diego Schwarzstein, médico que tratou o principal e conhecido problema de saúde de Messi: uma deficiência hormonal que comprometeu seu crescimento. O médico, que ainda mora em Rosário (Argentina), cidade natal de Messi, não deu margem a dúvidas: “Leo nunca foi diagnosticado como Asperger ou qualquer outra forma de autismo. Isso é realmente uma bobagem”, afirmou categoricamente.

Capa do Livro de Guillem Balague: reprodução do site: guillembalague.com

Outro aspecto muito importante que corrobora a falsidade da afirmação é o “autismo” de Messi ter sido ignorado pelas principais e mais respeitadas biografias (em texto e em vídeo) já lançadas sobre sua vida e carreira em 2009, 2010, 2011, 2012 e 2015. Um exemplo vem do jornalista e escritor espanhol Guillem Balague, especialista em futebol e em biografias de craques, que naquele mesmo ano de 2013 publicou o livro “Messi“, uma biografia autorizada do argentino. “Essa história é um lixo!”, exclamou ele ao ser perguntado sobre o assunto.

Dois anos depois, em 2015, no jornal Extra, o sobrinho de Jorge Amado reafirmou a história e ainda desafiou: “Conversei com pessoas envolvidas com o assunto e ninguém sequer contestou o contrário. Se eu cometi uma imprudência é problema meu. Não preciso provar nada para ninguém. Se ele quiser me processar, que vá provar na Justiça. Há dois anos que falo isso porque eu conheço o olhar e pessoas envolvidas nessa questão. Não é demérito nenhum ter autismo. É só uma curiosidade mesmo (sic)”, argumentou.

Uma mentira contada mil vezes…

Em 2017​​, no programa de TV “Encontro” (Rede Globo), Fátima Bernardes teve que corrigir um convidado que fez novamente tal afirmação sobre o autismo de Messi. O convidado Gustavo Cerbasi disse: “Um bom exemplo, Messi, astro do futebol, tem no autismo uma explicação para as qualidades que ele tem. Maior precisão, maior foco”. Mas, a apresentadora corrigiu-o de imediato, dizendo que isso é uma lenda urbana que não tem confirmação. E, minutos depois, ainda reforçou: “Olha, a gente tá aqui recebendo [a informação de] que o médico do Messi, por conta disso [a suspeita de que o atleta tem autismo] deu uma declaração dizendo que ele não tem autismo”.

Recentemente, a história voltou à tona, em julho de 2020, quando o ex-jogador francês Christophe Dugarry, ao comentar sobre a polêmica envolvendo o compatriota Griezmann, acabou atingindo também o craque argentino. “De que ele [Griezmann] tem medo? De um garoto de um metro e meio de altura que é meio autista? O que precisa fazer é se impor de vez em quando. Faz um ano que se diz que ele tem problemas com Messi. O que tem que fazer é dar um soco na cara”, disse Dugarry, de maneira rude, em entrevista à RMC Sport. Três dias depois ele se desculpou.

A construção de uma fake news

O jornalista Tiago Abreu destacou, no episódio “Messi não é autista” do podcast Introvertendo, de junho de 2020, sete pontos que mostram a fragilidade dessa fake news:

“1º ponto — Roberto Amado se baseia numa informação difícil de se verificar.  Ele fala que Messi foi diagnosticado com Síndrome de Asperger aos oito anos de idade, e que o diagnóstico foi pouco divulgado como uma maneira de protegê-lo. E aí ele já levanta aquela suspeita de que o Messi esconde algo e, como ele esconde, seria difícil o jogador assumir que é autista. Aliás, se Messi tivesse sido diagnosticado com Asperger como Amado afirmou, seria em meados de 1995, período em que o diagnóstico era extremamente recente (e raro) nos manuais médicos.

2º ponto — Ele tenta produzir uma evidência anedótica. Você já deve ter ouvido falar naquelas histórias de: ‘eu ouvi dizer que a pessoa tal é isso ou aquilo’, você tenta passar isso de boca em boca e aí, à medida que as pessoas vão repetindo, isso se transforma numa verdade. Esse texto é todo construído dessa forma. Ele procura relatos de pais e mães, se justifica dizendo que é filho de profissionais médicos, tenta juntar vários elementos que são frágeis por si só para poder construir essa opinião de que o Messi é autista. Pra dizer: ‘não só eu penso que o Messi é autista, outras pessoas pensam da mesma forma’.

3º ponto — ele usa verdades para sustentar um ponto de vista geral questionável. Então, por exemplo, Amado cita o surfista Clay Marzo, que é realmente diagnosticado com autismo, como exemplo de autistas nos esportes.

4º ponto — o autor coloca outras fake news dentro dessa pra endossar a visão. Então, ele fala que Einstein e Bill Gates são autistas e gênios. O texto gira em torno da ideia de que o autista é um gênio. 

5º ponto — o mais óbvio é que ele inverte o ônus da prova. Ele publicou o texto, foi contestado, e teve uma reação do tipo: ‘são eles que têm que se virar e provar que o Messi não é autista. Eu estou afirmando, e vocês tem que provar o contrário’. É uma linha de raciocínio completamente bizarra. 

6º ponto — o médico pessoal do Messi afirmou que o que foi dito pelo Roberto Amado é uma completa ‘bobagem’. 

7º ponto — nenhuma biografia séria e bem construída sobre o Messi tem qualquer menção ao autismo.”

Aliás, vale ouvir (ou ler) aquele episódio todo (tem link abaixo) do Introvertendo, pois há muitos comentários e informações interessantes vindas de quem realmente pode falar de um diagnóstico de autismo: os próprios autistas.

Muitas vezes, porém, uma mentira “floreada” pode ser muito mais agradável e desejável que a verdade nua e crua. Tiago conta que muitos pais repudiaram um texto seu, publicado um ano antes, com argumentações de que Messi não é autista e contestaram essa oposição ao que muitos chamaram de “uma história tão inspiradora” — de que o Messi seria autista. “Pais e mães que tiveram contato com aquele meu texto vieram xingar a gente!” conta o jornalista, abismado.

Famosos autistas, autistas famosos

Quer citar pessoas famosas que estão no espectro do autismo? Cite quem declara isso abertamente, como a escritora e especialista em ciência animal Temple Grandin, o ator Anthony Hopkins, a ecoativista Greta Thunberg, ou o mais recente famoso a mencionar publicamente seu diagnóstico de autismo, o bilionário Elon Musk, e tantos outros.

(Com colaboração de Tiago Abreu)

 

A história de Messi

Pedro Henrique Quiste

Nasceu na Argentina no final da década de oitenta e começou a jogar no Newell’s Old Boys, que era o time da sua cidade natal, Rosário, aos seis anos. Quando criança, mostrava muita habilidade com a bola, mas tinha um problema hormonal que dificultava o seu crescimento.

Entre nove e dez anos, ele foi diagnosticado com esse problema hormonal e teve de começar um tratamento complicado, que custava mil pesos argentinos por mês, em que ele precisava aplicar, uma vez por noite, uma injeção em sua perna. Ele mesmo a aplicava e ficava tudo tranquilo. O Newell’s Old Boys se recusou a pagar o tratamento e a família decidiu levar o garoto para fazer um teste no time do Barcelona, na Catalunha (Espanha) — um dos maiores times da história do futebol. 

No ano 2000, Messi foi levado para lá, fez um teste e, poucos meses depois, foi aprovado. Chegaram a um acordo e o Barcelona passou a ajudar naquele tratamento. Messi finalmente cresceu 30 centímetros em estatura após o começo do tratamento — quando ele começou ali, aos 10 anos, tinha um metro e quarenta e hoje tem um metro e setenta. Uma história de superação. 

Estreou em 2005 como profissional e em 2008 chegou ao seu auge. Há quem diga que, depois do Pelé e do Maradona, ele é o maior, o mais conhecido. Com uma lista imensa de premiações pessoais, as principais foram: Bola de Ouro da FIFA (2010, 2011, 2012 e 2015) e Melhor jogador do mundo pela FIFA (2009 e 2019).

Pedro Henrique Quiste é estudante de jornalismo, apaixonado por esportes e pela criação de conteúdo nessa área. Twitter: @ph_quiste.

 

CONTEÚDO EXTRA

Suicídio e Autismo

Tempo de Leitura: 3 minutos

Por Luciana Xavier

Psicóloga, neuropsicóloga, especialista em autismo e ABA, integrante do conselho de profissionais da Onda-Autismo, Instagram @neuropsicolux 

Sabemos que entre as pessoas autistas, principalmente os jovens e os adultos, em palavra ou pensamento, o assunto suicídio já fez parte em dado momento. Outro dado importante e assustador é que o suicídio é geralmente o fator que mais causa mortes entre os autistas.

Mas por que isso acontece?

Todos nós sofremos pela ânsia de pertencimento, pela ânsia de sermos felizes, ou ainda plenos, bem-sucedidos e bem-resolvidos. Essa ânsia de pertencer, de fazer parte, de ser aceito e validado, pode e geralmente é muito sofrida entre os autistas leves, pois de leve nos referimos apenas a forma de apresentação, e pouca necessidade de suporte, mas não nos referimos aos enfrentamentos, às dificuldades e aos desafios que passam ao longo da vida, pois a sociedade, a escola, o mercado de trabalho emitem exigências típicas, e, na verdade, mesmo sendo de grau leve, seu funcionamento é atípico, sua óbvia, suas dificuldades, angústias e suas maneiras de se relacionar e de atuar no meio são atípicas. Essa então é a chave, é o começo do novelo, não atender às exigências, ser diferente, se esforçar para atender, lidar com frustrações e até mesmo rejeições e exclusão.

Essas dores, seja de esforço muito grande ou mesmo do sofrimento causado pela não aceitação, são dores profundas, deixam muitas marcas, o sofrimento funciona como um líquido que é depositado num grande copo, todos os dias, gota a gota, até o momento em que o copo não dá mais conta, ele está cheio, então abre espaço assim para o desespero, a desesperança, a exaustão e a falta de saída, ou seja viver tornou-se um fardo, um peso, que não tem fim.

Espera aí, como assim não tem fim? A morte é um fim! Pois bem, porém não controlo seu momento, não escolho, ou escolho?

Estão assim abertos os pensamentos ou como chamamos a ideação suicida. Como já é sabido, entre a maioria dos autistas, existe também o fator hiperfoco, então juntamos uma ideia que aliviará, com seu hiperfoco. Essa ideia se torna então o centro de suas atenções e começa a ser vista como a única solução.

Quando falamos em suicídio dentro do espectro autista, devemos nos atentar também para um número que vem crescendo assustadoramente. O suicídio entre os cuidadores, sim os cuidadores, potencialmente as mães de autistas de graus entre moderados e severos, vem sendo frequentemente noticiado. Mas ao que esse fato se deve? Praticamente o mesmo: descrença, exaustão, solidão, dores emocionais, que podemos chamar de sofrimento intenso, sem uma visão positiva do futuro, muitas vezes ao contrário: “Vou envelhecer, morrer e não poderei cuidar do meu filho… melhor resolvermos isso já.”

O suicídio sempre está relacionado ao sofrimento e à exaustão extrema, à visão negativista e desacreditada de um futuro melhor.

O suicídio entre os autistas relaciona-se à sua forma de agir, pensar, sua forma de ver o mundo, seus interesses e as dificuldades nas habilidades sociais, muitas vezes ou melhor frequentemente motivos de angústia, tristeza excessiva, autoimagem claramente desvalorizada, que leva a total desesperança.

Assim, fica claro que o assunto é atual, importante e impactante, já que estamos falando de uma atitude irreversível; portanto, a saída é sempre: prevenção, prevenir, informar e acolher, preparar o autista para esse enfrentamento e, por outro lado, informar e preparar a sociedade para esse acolhimento, respeitando, valorizando e fazendo uso produtivo das diferenças que existem na humanidade. Somos todos neurodiversos, somos cérebros únicos, frutos de histórias únicas, de culturas e tempos diferentes. O caminho é pensar sobre essa neurodiversidade e sobre a inclusão verdadeira.

Referências

Bosa, C; Teixeira, M.C. Autismo: avaliação psicológica e neuropsicológica: 2. Ed. São Paulo: Hogrefe, 2017.

Rogers,S; Dawson G. Intervenção precoce em crianças com autismo. 1. Ed. Lisboa: Lidel, 2014.

Rogers, S; Dawson G.; Vismara L. Autismo Compreender e agir em família. 1. Ed. Lisboa Lidel, 2015.

Kwant, Fatima de. Autismo leve e suicídio. Autimates.com, 2018. Acesso em 18.dez.2019.

Casimiro, Alice. Autismo e suicídio: quando o leve não é tão leve. A Menina Neurodiversa, 2019. Acesso em 6.jan.2020.