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Protocolo VB-MAPP

Tempo de Leitura: 4 minutos

O que é e qual sua importância para pessoas com autismo

Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program, mais conhecido pela sigla VB-MAPP é um protocolo para avaliação de pessoas com autismo utilizado dentro da Análise do Comportamento (ABA). Embora muitas famílias de quem está no espectro autista não compreendam sua necessidade, especialistas no tema garantem que essa investigação é de extrema importância para o paciente. 

É por meio dela, por exemplo, que se sabe qual o repertório do paciente e o que de fato ele sabe. Assim, será possível iniciar o ABA e fazer o tratamento adequado para alcançar sua autonomia e garantir o máximo de avanços possível. 

Como funciona?

O VB-MAPP é, sobretudo, uma avaliação baseada em marcos. Isso significa que ela analisa como o paciente está levando em consideração o desenvolvimento típico. Dessa forma, imagine que o paciente em questão seja uma criança de 5 anos diagnosticada dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante as avaliações, os profissionais envolvidos em seu tratamento podem classificá-la como alguém com desenvolvimento semelhante ao de uma criança típica de 0 a 18 meses. 

Vale ressaltar, ainda, que o VB-MAPP funciona em três níveis. São eles:

  • Nível 1: 0 a 18 meses
  • Nível 2: 18 a 30 meses
  • Nível 3: 30 a 48 meses

Protocolo VB-MAPP - Canal Autismo / Revista Autismo

Essas métricas não significam que o protocolo só se aplique a crianças de até dois anos. Pelo contrário, ele pode ser utilizado até os 7 anos, mas nesse caso o marco de desenvolvimento ser de 30 meses, por exemplo.

Componentes do VB-MAPP

Uma das primeiras etapas para iniciar a análise de VB-MAPP em crianças autistas é fazer a avaliação de barreiras. Ela consiste na observação de 24 áreas que podem estar comprometendo a aprendizagem. Assim, vamos supor que os profissionais responsáveis pelo tratamento do paciente ou mesmo a família estejam falhando em ensinar algo a ele. Isso pode acontecer porque há uma barreira que só será descoberta após esse exame.

Existe ainda a avaliação de transição – mas esse método não é tão usado no Brasil, justamente porque o ensino aqui é diferente dos Estados Unidos, de onde o VB-MAPP foi importado. Essa etapa, basicamente, é como tirar a criança da escola de ensino especial e fazer sua inclusão no ensino regular. Para que isso ocorra de forma a melhorar o aprendizado e não causar danos ao paciente, é realizada a avaliação de transição.

Outro importante instrumento para o VB-MAPP é a Task Analysis (lista de tarefas, em português). Por meio dela, é possível pegar uma habilidade específica e dividi-la em pequenas partes que podem ajudar o profissional a compreender o processo e conquistar um objetivo específico – ou seja, a habilidade maior.

Importância

O VB-MAPP é normalmente aplicado pelo terapeuta antes de iniciar o ABA. No entanto, vale lembrar que mesmo que o profissional seja experiente, é essencial que ele aplique a avaliação antes das intervenções. De acordo com o psicólogo Fábio Coelho, especialista em autismo, é esse processo que ajuda a identificar o fato do paciente ter dificuldades em compreender ou mesmo responder a algumas demandas. “Muitas vezes, pela falta de uma compreensão adequada do que causa determinado comportamento, atuamos de forma equivocada como pais, educadores ou terapeutas de pessoas com TEA”. 

Ele ainda reforça a importância do protocolo no ABA. “O Programa é, na minha opinião, essencial pois serve como um sistema de avaliação e rastreamento para avaliar a linguagem, habilidades motoras, sociais e acadêmica de crianças com autismo ou outras deficiências de desenvolvimento. O VB-MAPP é um dos principais protocolos de avaliação da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e é amplamente utilizado para avaliação individualizada e planejamento terapêutico/educacional”. 

Quer saber mais?

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Para que seja possível realizar uma avaliação em ABA, temos protocolos, alguns validados e aceitos mundialmente na Análise do Comportamento.

Atenção: Profissionais que querem dominar o Autismo na escola ou no consultório, é necessária a capacitação e domínio dos protocolos a seguir.

Se não, pode ocorrer de você fechar a porta da sala ou consultório e não vai saber como iniciar o trabalho com aquela criança ou adolescente que está a sua frente.

Tudo começa com uma boa avaliação. É nela que você vai saber o que ensinar, como ensinar, quais desafios que irá enfrentar e quais são os próximos passos da intervenção.

Dentro do sistema de intervenção da Análise do Comportamento, nós temos alguns protocolos mais conhecidos, vamos falar dos principais?

ABLLS, muito parecido com o VB-MAPP, este protocolo é voltado para avaliações de habilidades básicas, de linguagem e aprendizagem.

Com ele, você profissional consegue identificar quais são os pré-requisitos para uma criança: sentar, olhar. Enfim, são mais de 500 habilidades em 25 áreas que o ABLLS está mapeando.

O segundo é um sistema de avaliação de habilidades sociais, do mesmo autor do ABLLS, tem o nome de AFFLS, voltado para habilidades de vida funcional, as famosas AVDS.

Habilidades de autonomia, na escola e de vida independente. Noções de segurança, resolução de problemas, preparo de refeições, habilidades sociais e vocacionais.

O primeiro, não especificamente da Análise do Comportamento, mas é muito utilizado principalmente em um ambiente escolar, é o PORTAGE.

Ótimo para avaliação dos rastreios de habilidades, linhas de base, o que a criança já sabe fazer. Então, na fase inicial, este é um protocolo muito bom!

Ele compara o desenvolvimento de crianças neurotípicas de até 06 anos, bem simples e prático.

Temos alguns testes e questionários que são utilizados para diagnóstico. 

São eles: M-CHAT, Escala CARS, Denver II, ADOS, ATA.

Alguns estão desatualizados, pois levavam em consideração o DSM-4, então serão eficazes para aquele conceito mais clássico de Autismo.

Havendo um pouco mais de dificuldade de mapear quando voltado para crianças com Espectro leve. 

Esses são os chamados testes de avaliações diagnósticas.

Meme sincero: dificuldade em demonstrar sentimentos e expressões

Tempo de Leitura: < 1 minutoComumente a pessoa autista tem dificuldades em demonstrar sentimentos e expressões. Isso é um fato marcante no autismo e por ser verdade é que se tem o mito de que autistas não tem empatia, pois às vezes, apesar de estarmos muito tristes ou felizes, a nossa feição não acompanha tal sentimento como o padrão neurotípico espera.

Outras vezes, não demonstramos tais sentimentos pela própria dificuldade de externar o que estamos sentindo mesmo, o que passa a imagem de insensibilidade. Eu por exemplo, por mais triste que esteja, é muito difícil que eu chore, o que faz parecer que uma situação que causaria tristeza em qualquer pessoa não me afeta.

Porém, existe esse outro lado que quem convive mais de perto com pessoas autistas já deve ter notado. Tem vezes que, ao contrário dessa falta de reatividade que expliquei anteriormente, nós autistas somos muito transparentes e não temos o traquejo social de esconder sentimentos em situações onde os neurotípicos têm facilidade em manter a discrição para dar suporte a certas ocasiões de socialização onde tal postura seria bem-vinda.

Resumindo, somos péssimos em executar essas “mentirinhas sociais” que são inerentes do convívio. Algumas vezes por não ver motivo em dizer ou demonstrar algo que não é verdade, outras por não perceber que aquilo faz parte do contexto de socialização implícito onde parece ser comum dizer algo que é o contrário dos fatos simplesmente porque na maioria das vezes as pessoas neurotípicas fazem perguntas esperando uma afirmação e não uma resposta.

Projeto TEAcolher grupo de mães: acolhimento e sororidade

Tempo de Leitura: 3 minutosAtualmente, os movimentos feministas vêm se articulando através de blogs, fóruns on-line e grupos feministas em redes sociais. Diversos grupos feministas estão construindo redes virtuais de acolhimento, que vêm ganhando cada vez mais adeptas. Mulheres dispostas a compartilhar histórias e sentimentos através de relatos postados nestas redes. Considerando que os grupos de acolhimentos feministas nas redes cresce a cada dia e que já faz parte do cotidiano de muitas mulheres, a Rede Unificada Nacional e Internacional pelos direitos dos Autistas (REUNIDA-Autismo), uniu um grupo de mulheres do grupo nacional de mães e voluntárias que fazem parte dos conselhos da associação para articular estratégias facilitadoras e possibilitar o uso da internet como uma ferramenta de aproximação de diversas realidades e vivências dentro da comunidade de mães de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

É notório que a internet se tornou uma feramente importante, nas quais os relatos circulam nesse mundo virtual, produzindo sentidos, significados e principalmente, empatia e identificação. Além disso, o dinamismo das redes virtuais é algo que aproxima e acolhe, suprindo, em muitos momentos, as necessidades individuais de cada mulher que busca por esse formato de apoio. A internet, hoje, não é utilizada só como um instrumento de divulgação, mas, também, como uma ferramenta para críticas, debates, reações e diálogos com os mais diferentes setores da sociedade. 

Por essa razão, nasce, o projeto TEAcolher, mais uma vertente de trabalho do grupo REUNIDA-Autismo que se sensibilizou e buscou um olhar cuidador para todas as mães que precisam ser vistas e acolhidas em sua diversidade e singularidade. O projeto TEAcolher tem como objetivo ponderar como a mulher/ mãe de uma pessoa com TEA pode se organizar nessas redes no intuito de empoderá-las e transformá-las em agentes de suas próprias mudanças ressignificando seus propósitos e metas de vida através de reflexões, diálogos e renovação de conhecimento com uma diversidade de temáticas que fazem parte do seu contexto e realidade. O TEAcolher, através das redes virtuais tem o propósito de se tornará um instrumento para aglutinação de mulheres para que elas possam encontrar apoio para lidar e superar os desafios da vida. Ademais, quem ama, se cuida! Fortalecer esse conceito é a nossa missão. O TEAcolher REUNIDA-Autismo fará encontros on-line e trará assuntos como: autocuidado; lazer; empreendedorismo; empoderamento feminino. Os encontros serão quinzenais em formato de lives no Instagram da REUNIDA – Autismo.  O grupo de mobilizadoras do projeto é formado por Cláudia Moraes, vice-presidente da REUNIDA-Autismo (RJ); Liziani Silveira, conselheira profissional (RS); Carla Mandolesi, conselheira estadual (BA); Thaís Custódio, conselheira municipal (SC); Juliana Uggioni, conselheira estadual (SC). O grupo de multiplicadoras dos eventos e atividades realizadas é composto por todas as Conselheiras Estaduais e Municipais da REUNIDA-Autismo. As multiplicadoras têm o papel de divulgar em cada região do Brasil os convites das lives e atividades realizadas pelo TEAcolher. Todas as conselheiras foram convidadas a participar de um grupo formado no WhatsApp para fomentar e alimentar as informações e, assim, divulgar os convites nas redes sociais para todas as mulheres que desejam fazer a diferença em suas vidas.

Importante, ressaltar que, são muitas mulheres envolvidas neste belo trabalho. Quando montávamos o projeto, pensávamos em uma mulher/mãe que fosse um sinônimo de acolhimento e sororidade para ser a madrinha do projeto, e, assim, fizemos um convite especial à Fatima de Kwant, que aceitou com honras o convite. E para ampliar ainda mais essa rede de relações fica o convite para todas as mulheres empoderadas, divas, empreendedoras da vida a assistirem o vídeo da primeira live que aconteceu no dia 10.jun.21, com as temáticas “O Feminino e o Acolhimento” e “Apresentação do projeto TEAcolher-REUNIDA-Autismo”, no Instagram @reunidaautismo.

Cérebro neurodivergente e as atividades de vida diária

Tempo de Leitura: 2 minutosComo vocês sabem, sou autista e mãe de uma mulher autista, de 24 anos. Recorrentemente, ao observá-la, cenas de minha vida retornam à minha mente com riqueza de detalhes e, infelizmente com os mesmos sentimentos da época em que foram vividas. Quem já passou por isso, sabe como o ressentimento, ressentir emoções já passadas, é nocivo desgastante.

Quando Sophia era adolescente, meu psicólogo, não raras vezes, me orientou como lidar com ela. Eu, apavorada, contra-argumentava: “Não consigo, você está me pedindo que eu lide com minhas próprias neuroses”. Então, ele me ensinava o passo a passo, o que me deixava mais segura. Uma de suas orientações era para que a Sophia (e eu) relativizasse a situação que a perturbava. O cérebro neurodivergente pode apresentar algumas armadilhas e uma delas é exatamente intensificar as emoções: ou estamos muito felizes ou, profundamente, infelizes. Coisas do tipo: “Meu mundo caiu e me fez ficar assim… você conseguiu (…)”. Dessa maneira, nosso cérebro potencializa os sentimentos envolvidos na situação, mesmo que não saibamos como nominá-los ou expressá-los para quem nos pergunta: “o que aconteceu.” Essa pode ser a maior dificuldade da pessoa autista: comunicar suas emoções. Mesmo quando é expert em discursar sobre seus hiperfocos.

Quando estamos naquela fase em que nosso cérebro ainda não é totalmente maduro, até os 25 anos aproximadamente, segundo estudos da Neurociências, perceber e relativizar as situações é algo muito, mas muito difícil mesmo. E é nessa fase, que os pais são mais rigorosos e cobram mais [email protected] [email protected] que não é mais criança. Mesmo que, paradoxalmente, muitos deles ainda infantilizem seus filhos autistas, numa atitude que beira ao capacitismo e só complica o amadurecimento do cérebro neurodivergente que pode se dar mais lentamente que o cérebro típico. Mas criança, nenhum adulto autista é.

O que é necessário nessa fase é ensinar o passo a passo de como lidar com as mais diversas situações. Vale até simular algumas delas como: ouvir de alguém da família algo que se discorde frontalmente; ouvir um não a algo que se quer muito; estar chateado porque não pode passar o tempo todo nos jogos eletrônicos – exceto se você faz disso um hiperfoco que vá se transformar em seu trabalho.

Uma outra orientação é que não precisamos responder a uma pergunta imediatamente. Há sempre como ganhar tempo dizendo: Ainda não estou bem [email protected] Vou pensar mais um pouco e te retorno.” Essa pode ser também, uma boa estratégia para que a gente não seja levada pela impulsividade que nos assombra a vida.
Não precisamos aceitar a ansiedade, quase uma constante ao cérebro neurodivergente, porém em doses mais elevadas que nos cérebros típicos, não precisamos aceitar a ansiedade como uma sentença imutável. E nem como desculpa que nos libere de construir melhores reações. Para tanto, é bom que [email protected] autista treine a respiração que é forte aliada nos momentos de crise ou de ansiedade.

Um exercício muito bom, vem da terapia cognitivo comportamental: é preciso analisar o que de real existe num medo paralisante e o que é uma construção de nossas vivências. Eu tenho pavor de ir a lugares que não conheço, dirigindo. Percebi que os motivos são: medo de me perder. Para esse, o GPS e coração sereno, caso contrário, não conseguimos entender nem as indicações do GPS. Medo de estar sozinha pois quando estou nervosa não consigo me expressar direito. Para esse, a companhia daquela pessoa que é nosso suporte mesmo quando somos adultos (uma prima, um colega, pai, mãe, terapeuta/acompanhante.) Medo do imprevisível e incontrolável. Para esse, a vida me ensinou que não tem estratégia 100% eficaz. Por isso, diminuímos a tensão com o que podemos, de alguma maneira, controlar para enfrentar o imprevisível que, no mínimo, nos servirá de um rico aprendizado.

Os desafios do autista adulto

Tempo de Leitura: 3 minutos

Especialistas dão dicas de como ajudá-los no dia-a-dia e no mercado de trabalho

Quase todo mundo conhece uma criança que foi diagnosticada com autismo. Mas, muitas vezes, os adultos ficam “invisíveis” por não terem sido avaliados corretamente. “É muito comum autistas terem passado boa parte da vida como esquizofrênicos, por exemplo”, diz o geriatra Marcelo Altona, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e coordenador do Programa de Envelhecimento do Instituto Serendipidade, que atua com inclusão de pessoas com deficiência intelectual na sociedade. Quando conseguem chegam ao mercado de trabalho, as pessoas autistas encontram várias dificuldades que poderiam ser evitadas se as empresas fizessem pequenas modificações.

Segundo a neuropsicóloga Joana Portolese, da Faculdade de Medicina da USP, estudos apontam que apenas entre 10 e  20% dos autistas considerados leves chegam ao mercado de trabalho ou à universidade. E, quando conseguem, encontram ambientes inadequados. “Eles podem apresentar sensibilidade à luz ou ao barulho. É preciso fornecer meios para que se sintam mais confortáveis”, diz ela citando o uso de fone de ouvidos ou até mesmo a realocação do autista no espaço físico para deixá-lo em um local com menor movimentação de pessoas. Joana destaca que, em diversos aspectos, pessoas com autismo podem ser mais eficientes em certas funções do que pessoas fora do espectro.

“Com a propensão ao hiperfoco (estado de concentração intensa), eles respondem muito bem quando têm um planejamento. São excelentes executores quando recebem um roteiro” , diz Joana, frisando ainda que metas a curto prazo também são bem-vindas.

Estimular a autonomia do adulto autista também é fundamental, diz a neuropsicóloga. “Quanto mais os adultos conseguem sair sozinhos, dirigir, ir à farmácia ou ao mercado sem acompanhamento, mais fácil se resolvem nas relações pessoais, que são um ponto de dificuldade, já que os autistas não são bons na leitura social”.

Professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Rosane Lowenthal diz também ser importante que as empresas  enxerguem a diversidade entre os autistas adultos. Nem todos vão ter hiperfoco, por exemplo. “Alguns gostam muito de detalhes. É importante que o empregador saiba disso, que dê tarefas de classificação, de elaboração de planilhas.  Ela lembra que também é necessário dar o tempo necessário para eles se organizarem. “Às vezes, a pessoa autista precisa falar sozinha, precisa ir a algum lugar sem pessoas ao redor”. Ela diz ainda ser preciso intervir na habilidade social, mas frisa que não há um manual. “Tem que ter apoio, oferecer uma intervenção individualizada, não pode falar ‘você age assim ou assado’, cada caso é diferente”.

CEO da Specialisterne, empresa social que intermedia a contratação de pessoas com TEA, Marcelo Vitoriano diz que empregar alguém com o transtorno tem vantagens em várias frentes. “ A primeira dela é que a empresa verdadeiramente valoriza a diversidade e inclusão e abre oportunidades para pessoas com diferentes características. Boa parte das pessoas autistas possuem alta concentração nas atividades, raciocínio lógico apurado, são detalhistas e metódicos e podem trazer soluções inovadoras”.

Marcelo diz que a principal iniciativa para uma inclusão com qualidade é a adaptação dos processos de recrutamento e seleção. Não é possível ter uma seleção onde a pessoa seja “reprovada por dinâmicas de grupos ou porque não conseguiu olhar para os olhos do entrevistador”, diz, recomendando ainda que seja dada muita informação para as empresas sobre a realidade das pessoas com autismo e  suas características, pois isso facilita o acolhimento adequado.

Diagnosticado com TEA quando criança, Marcos Petry, que hoje tem um canal no YouTube intitulado Diário de um Autista e capacita professores para atender crianças com o diagnóstico, acrescenta ainda uma outra lição: “É importante se aproximar do indivíduo autista, e não do autismo no indivíduo”, diz.

(Instituto Serendipidade)

‘O tratamento do Autismo acaba ou é por toda a vida?’

Tempo de Leitura: < 1 minutoO neuropediatra Paulo Liberalesso publicou um vídeo nesta sexta-feira (04), explicando sobre a importância do tratamento do autismo contínuo.

“O transtorno do espectro do autismo dificilmente tem um começo, meio e fim, o tratamento não tem tempo pré-determinado”, diz Liberalesso. No vídeo, ele destaca a importância de um diagnóstico precoce, profissionais de boa qualidade, alta intensidade na intervenção com tratamento adequado, além de ser contínuo.

Vídeo

Paulo Liberasso é médico neuropediatra, mestre em neurociência, doutor em distúrbios da comunicação e diretor técnico do Cerena.

Hiperfoco e Ansiedade

Tempo de Leitura: 2 minutosEm meu livro de estreia, “Outro Olhar”, lançado em 2015, registrei, no que se refere ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), que “a ansiedade, comum na síndrome, deve ser canalizada para algo prazeroso e produtivo” (Mendonça, 2015, p. 22). Eu estava com 18 anos à época e procurava meios de me manter ativa, pois o tédio sempre foi gatilho para minhas crises. Era algo que chegava de mansinho, fomentado por eu não conseguir gerenciar bem as tarefas do meu dia, muitas vezes por dificuldade em tomar decisões sobre o que fazer ou como organizar minha rotina, o que, aos olhos de pessoas neurotípicas, podem parecer tarefas corriqueiras e mesmo intuitivas.

O hiperfoco em artes e comunicação me preparou para entender outras pessoas e a galgar espaços profissionais e sociais com maior plenitude. Esse interesse intenso, destinado a assuntos específicos por um cérebro hiperexcitado, sempre foi meu aliado para lidar com sintomas de depressão e ansiedade que enfrentei por toda a vida. Minha paixão por determinados produtos midiáticos, como os livros de Sophie Kinsella e o cinema de Sofia Coppola, além do estudo do budismo e de outros temas, me trazem paz e equilíbrio em momentos difíceis. 

À medida que comecei a produzir meus próprios conteúdos, desenvolvi uma espécie de compulsão por essa atividade. Minha mãe brinca que, em alguns momentos, eu preciso de um grande evento para me sentir bem. Em breve, nós duas comunicaremos algumas notícias maravilhosas com relação aos novos rumos do nosso projeto “O Mundo Autista”. 

Essas novidades me deixam muito feliz, mas também me causam maior ansiedade. Não por qualquer receio de que algo venha a dar errado, mas porque de repente eu me vejo não conseguindo não pensar em outra coisa por algumas horas do meu dia. O hiperfoco constitui uma parte importante do meu estar no mundo, mas, ao mesmo tempo em que ele pode ser utilizado para aliviar a ansiedade, também pode potencializar essa característica que, em excesso, é desagradável. É como quando somos crianças e descobrimos que vamos fazer um passeio legal, mas o que é a priori algo alegre por vezes nos faz perder o sono até o dia do evento chegar. 

Autista é escolhido para presidir a Reunida-Autismo pela primeira vez

Tempo de Leitura: 2 minutos

Decisão é um marco na jornada da conscientização e inclusão das pessoas com TEA na sociedade brasileira

A Reunida-Autismo — Rede Unificada Nacional e Internacional pelos Direitos dos Autistas —, que tem como missão promover e/ou fazer cumprir as políticas públicas com base nos direitos das pessoas com TEA, dá mais um passo enorme na direção da verdadeira representatividade das pessoas autistas em nossa sociedade.

Firmando-se definitivamente como uma das grandes instituições em nosso país, quando tratamos do espectro do autismo, na vanguarda do respeito aos conceitos da neurodiversidade, do lugar de fala e do protagonismo dos autistas, a Rede me anunciou como seu novo presidente: “Fábio Cordeiro, 41 anos, autista e ativista da causa, para exercer o papel de liderança, dar voz e trabalhar em prol de toda a comunidade do autismo, contribuindo com sua perspectiva e visão — de alguém que vê o mundo do lado de dentro do espectro —, e que atua para que a maneira de existir das pessoas autistas seja respeitada com mais equidade, sem preconceito e sem intolerância”.

A importância de termos à frente da Reunida-Autismo uma pessoa que estampa um dos valores fundamentais nessa caminhada — o clamor do “nada sobre nós sem nós”, nada sobre as pessoas autistas sem que os principais envolvidos, os próprios autistas, sejam ouvidos e realmente levados em consideração, que suas demandas sejam sanadas —, é o maior ganho que a comunidade autista poderia ter nesse sentido, pois ao constituir essa nova fase de organização e trabalho, ficam claros o objetivo e os caminhos que essa organização busca seguir.

Primeiras palavras

Minhas primeiras palavras, como presidente da Reunida-Autismo foram:

Recebo essa missão com muito orgulho, e estejam certos que podem contar comigo para o que for possível na luta por inclusão e respeito.

Às pessoas autistas, contem comigo! Eu não sou a voz do autismo, mas busco dar voz aos Autistas. Através de mim sintam-se representados e tenham liberdade para contribuir com suas experiências para que cresçamos juntos.

Pais, mães, todos os familiares, profissionais e pessoas simpatizantes da causa, também podem contar comigo para alcançarmos o bem comum. Aqui busco união, porque unidos é que alcançaremos nossos objetivos.

O protagonismo autista importa, representatividade importa, a voz dos autistas importa e agora é a vez do autista. Venham comigo!”

Vídeo do Liberalesso: ‘Curvas de aprendizagem e desenvolvimento neuropsicomotor’

Tempo de Leitura: < 1 minutoNesta quarta-feira (27), o neuropediatra Paulo Liberalesso publicou um vídeo explicando as curvas de aprendizagem e desenvolvimento neuropsicomotor.

No vídeo, Liberalesso faz uma comparação no desenvolvimento de uma criança típica e atípica, mostra que apesar da criança atípica ter um atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, é possível que, com um tratamento eficaz, essa criança se aproxime cada vez mais de um desenvolvimento neurotípico, o que pode deixar essa diferença imperceptível.

Vídeo

Paulo Liberalesso é médico neuropediatra, mestre em neurociência, doutor em distúrbios da comunicação e diretor técnico do Cerena.

‘Desenvolvimento da fala até os 4 anos’

Tempo de Leitura: < 1 minutoO neuropediatra Paulo Liberalesso publicou um vídeo nesta segunda-feira (24), comentando a respeito do desenvolvimento da fala até os quatro anos de idade.

Liberalesso fala sobre o equívoco de alguns médicos em dizer que a criança não falar até os quatro anos de idade é normal e que faz parte do processo. Paulo comenta: “Ela pode, sim, ter algumas alterações motoras na fala, mas até completar esses quatro anos, a criança tem que estar em um processo de evolução constante, com a fala quase perfeita”. Ele ainda destaca a importância de uma intervenção precoce quando se constata alguma alteração no desenvolvimento da fala.

Vídeo

Paulo Liberalesso é médico neuropediatra, mestre em neurociência, doutor em distúrbios da comunicação e diretor técnico do Cerena.

Meme Sincero: ‘Ah, mas você fala: como que pode ser autista?’

Tempo de Leitura: < 1 minutoDéficit de comunicação nem sempre quer dizer que a pessoa não fale.

Quando se trata das características do autismo, em especial as que são critérios de diagnóstico, a dificuldade de comunicação está sempre presente — e aqui estão inseridas a comunicação verbal e não verbal.

Além disso, este aspecto está intimamente ligado aos outros pontos que servem de critério para diagnosticar o TEA, que são os interesses específicos e comportamentos repetitivos; além da dificuldade de interação social.

Pois pensem comigo: uma pessoa que, como é comum no autista, só fala de seus interesses específicos e tem dificuldade de se inserir em outros temas, logo terá dificuldade de comunicar, pois pode fugir facilmente do contexto num meio de socialização, como no exemplo da imagem onde o assunto de hiperfoco do menino, no caso hipopótamo, claramente não serviria para um flerte.

Logo, o interesse específico que ocasionou a dificuldade de comunicação social, culminou numa imensa dificuldade de interação social.

E assim é o TEA explicado em um meme.

Desenvolvimento do app Tismoo.me está a todo vapor

Startup Tismoo.me é destaque no portal Tecmundo

Tempo de Leitura: < 1 minutoO Tecmundo, um dos maiores portais de tecnologia do país, destacou a startup Tismoo.me nesta quinta (20), com o título: “Startup anuncia a 1ª rede social do mundo dedicada ao autismo” — falando sobre a inovação deste projeto dentro do ecossistema que envolve o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Na reportagem, o autor Reinaldo Zaruvni, destaca “a ambiciosa meta de tornar os desafios de se conseguir diagnósticos, cuidados e tratamentos um processo cada vez mais rápido, eficiente e, principalmente, menos dolorido”, por meio da organização e estruturação de dados, usando a tecnologia para trazer benefícios à pessoa com autismo e outras síndromes relacionadas e seus familiares.

Acessibilidade para autistas

Outro ponto em destaque foi sobre a acessibilidade e inovação: “Dentre as características da Tismoo.me estão recursos de acessibilidade pensados para as pessoas com autismo, que permitem, por exemplo, desligar a exibição de emojis e ligar a visualização da descrição ao lado de cada ilustração, evitando que o público ao qual são direcionados se sinta hiperestimulado visualmente ou não entenda os significados”.

A reportagem completa está no site do Tecmundo (https://www.tecmundo.com.br/redes-sociais/217668-startup-anuncia-1-rede-social-mundo-dedicada-autismo.htm).

Convite para a Tismoo.me

Quem ainda não está na Tismoo.me, pode criar sua conta acessando, diretamente do seu celular, o convite exclusivo do Canal Autismo, neste link: https://app.tismoo.me/1PFN15JnU2VPLWac8.

Tismoo.me é rede social voltada ao autismo

Texto original do Portal da Tismoo.