Por

Academia do Autismo

"A Academia do Autismo é uma Instituição especializada no Transtorno do Espectro Autista, focada em transformar a vida das pessoas com TEA, a partir da qualificação de profissionais, pais e familiares. Conta com 80% dos conteúdos gratuitos, atuando também na disseminação de conhecimento sobre o autismo."

Facebook AutorInstagram AutorYoutube Autor

Comunicação alternativa para autistas não verbais

5 de outubro de 2021Comunicação alternativa para autistas não verbais — Canal Autismo / Revista AutismoReprodução / Olhares do AutismoImagem: Olhares do Autismo/Reprodução

Tempo de Leitura: 3 minutosA dificuldade na comunicação é um dos principais sinais de autismo. Segundo dados divulgados pelo site Autism Speaks, em 2009, 25% das crianças com TEA eram não verbais. A estimativa foi feita tendo como base uma pesquisa realizada nos Estados Unidos.

Sendo assim, é difícil para a maioria das famílias estabelecer uma forma de comunicação não verbal para compreender os desejos e necessidades desses indivíduos. Para driblar esse desafio diário e conseguir entendê-los, temos a comunicação alternativa e aumentativa.

Importância da comunicação verbal

A comunicação é considerada uma das principais características de uma inteligência avançada. De fato, é exatamente a capacidade de se comunicar de diversas formas que distingue o ser humano dos demais animais. Embora a comunicação não verbal também seja importante para estabelecer relações, a verbal é a mais usada em todas as esferas sociais, especialmente para ensinar crianças a realizar tarefas.

“Primeiro que todas as relações humanas são complexas, o autismo não seria diferente. O autismo é um transtorno neurobiológico cuja principal consequência são alterações da interação precoce. Os humanos precisam dos outros para aprender, precisam dos outros para sobreviver. Então qualquer humano que nasça com falhas nessa interação vai ter muitos problemas para conseguir, inclusive, a partir da interação, aprender com os outros”, explica a psicóloga Roberta Ecleide. 

Vale ressaltar, no entanto, que muitos autistas, especialmente os moderados, podem saber falar, mas continuam tendo dificuldades na comunicação social. Ou seja, embora eles tenham capacidade de verbalizar, a usam para repetir frases de filmes e programas de TV (ecolalia) e não conseguem realmente expressar o que desejam ou o que necessitam. 

Instrumentos que podem ajudar

As PECS (Picture Exchange Communication System – Sistema de Comunicação por Troca de Figuras) são o método de intervenção mais conhecido para driblar a dificuldade de comunicação verbal em autistas. Desenvolvido nos Estados Unidos e trazido para o Brasil, esse recurso consiste em um álbum de figuras no qual o autista selecionada aquilo que ele precisa na hora e mostra para um mediador, que poderá ajudá-lo a conseguir. 

Pensando em otimizar esse processo e reduzir o material que as famílias de autistas precisam carregar para todo lado, essas imagens passaram a ser catalogadas em aplicativos para celulares, tablets e computadores. Assim, basta que a pessoa com TEA selecione a figura que mostra aquilo que ela precisa, e o aplicativo informa por meio de áudio aos mediadores.

Comunicação alternativa para autistas não verbais — Canal Autismo / Revista Autismo

Imagem: Olhares do Autismo/Reprodução

Exemplo disso é o ‘Matraquinha’, aplicativo brasileiro criado pelo técnico em eletrônica Wagner Yamuto e sua esposa Grazyelle. Em entrevista ao portal Singularidades, ele contou que a motivação para criar o software foi o diagnóstico de autismo do próprio filho, Gabriel.

“Carregar aquela pasta é complicado e, em teoria, deveríamos levar até para ir na padaria. Afinal de contas, quando você sai de casa sua língua tem que ir junto, querendo ou não. A pasta é a língua do Gabriel, mas é complicado levar uma pasta para todos os lugares. Além disso as figuras se perdem, o que causa muita frustração e irritabilidade nele. Podendo chegar ao ponto dele ter crises agressivas no meio da rua”, diz.

Assim como o aplicativo desenvolvido por Yamuto, existem versões como o Proloquo2go, bastante usado nos Estados Unidos e que converte imagens em sons. No software, é possível que as famílias escolham as vozes que melhor se adequam, podendo ser femininas ou masculinas e até de crianças. 

Na prática

Mais que entender quais são as formas de comunicação alternativa para autistas, é necessário que tanto as famílias quanto os profissionais e cuidadores daquele indivíduo entendam a maneira correta de aplicar essa comunicação, a fim de alcançar os objetivos esperados. Vale ressaltar que, além de permitir à pessoa no TEA que ela tenha uma linguagem para expressar, também serve para reduzir os comportamentos considerados inadequados e ensinar habilidades sociais e funcionais.

Fonte: Academia do Autismo, Olhares do Autismo.

Autoria: Gabriela Bandeira.

Compartilhe

Comentários

Academia do Autismo

Fique por dentro das últimas notícias!
Assine a nossa News.

Autismo e outros transtornos do espectro autista

Por Redação da Revista Autismo
O Autismo Infantil foi descrito inicialmente por Kanner em 1943…

Pesquisa do CDC revela número alto de prevalência de autismo nos EUA em crianças de 8 anos, além de grande aumento em relação a pesquisa anterior

/
Por Redação da Revista Autismo
Os números são de se duvidar. Não fosse a credibilidade do Center of Disease Control and Prevention (CDC, sigla em inglês para Centro de Controle e Prevenção de Doenças), nos Estados Unidos, a pesquisa poderia ser questionada. Mas não é o caso. Dizer que, em média, nos Estados Unidos, temos uma criança dentro do espectro autista para cada 110 crianças de oito anos de idade é, no mínimo, alarmante. E estes são dados de 2006. Como é mais comum em meninos, eles apresentam números ainda mais preocupantes (um caso em cada 70 indivíduos), ao passo que meninas têm menor risco (um para 315) – a proporção é de quatro a cinco meninos para uma menina.

ABA: uma intervenção comportamental eficaz em casos de autismo

/
Por Redação da Revista Autismo
O autismo é uma condição crônica, caracterizado pela presença de importantes prejuízos em áreas do desenvolvimento, por esta razão o tratamento deve ser contínuo e envolver uma equipe multidisciplinar (Schwartzman, 2003). A eficácia de um tratamento depende da experiência e do conhecimento dos profissionais sobre o autismo e, principalmente, de sua habilidade de trabalhar em equipe e com a família (Bosa, 2006).