19 de maio de 2022

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Na semana passada recebi, pelo direct do Instagram, um vídeo no qual o professor Leandro Karnal recebe uma pergunta de uma senhora, muito emocionada, sobre até quando ele usaria a palavra a “autista” para exemplificar situações do cotidiano.

Recentemente, ele fez uma bela reparação sobre o tema, mas creio que ainda não se atingiu o significado esperado.

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Não se trata de pedir desculpas, pois a intenção nunca é ofender ninguém. Trata-se do conhecimento da questão como um todo, amplamente.

Quando usamos uma metáfora, queremos fazer uma comparação de forma implícita. Por exemplo, “ele tem uma pedra no lugar do coração”. A pedra é dura. Se ela é dura, então o coração é realmente duro, insensível.

Ao dizermos que uma pessoa tem um “isolamento autista”, julgando que o isolamento é uma negativa de comunicação com o mundo, cometemos dois graves erros:

  1. Não há como não se comunicar; mesmo se isolando, a comunicação está lá: “não quero me relacionar”;
  2. O autista não se isola por opção, mas por muitas vezes, não conhecer os caminhos para tal.

Esse foi um exemplo perfeito de capacitismo linguístico: o uso da linguagem de forma discriminatória. Sim, discriminatória. Quem quer se isolar do mundo? É algo esperado das pessoas? Não.  E, quando implicado numa associação com o autismo, dizemos que o comportamento do autista não é o esperado.

Aqui, não se trata do “politicamente correto” ou “mimimi”, mas sobre a compreensão de um tema tão complexo que envolve milhares de pessoas e, que aliás, não possuem mais o isolamento como característica de classificação diagnóstica.

Então, falar de isolamento autista é, no mínimo, ultrapassado.

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É psicóloga clínica, terapeuta de família, diretora do Centro de Convivência Movimento – local de atendimento para autistas –, autora de vários artigos e capítulos de livros, membro do GT de TEA da SMPD de São Paulo e membro do Eu me Protejo (Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes 2020, na categoria Produção de Conhecimento).

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