8 de novembro de 2021

Tempo de Leitura: 3 minutos

Por Profª Claudia Moraes

Vice-presidenta da ONDA-Autismo; Professora; Pedagoga; Especialista na Educação na Perspectiva do Ensino Estruturado; Mestranda em Educação com Especialização para Formação de Professores.

 

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O aumento na prevalência do autismo intensificou a demanda por ações educacionais e serviços terapêuticos efetivos, as intervenções baseadas em ciência tem fornecido muitas evidências que produzem resultados com impactos positivos.

De acordo com a pesquisa científica, EBPs (Práticas Baseadas em Evidências) são intervenções efetivas para o Transtorno do Espectro Autista, cujos critérios foram classificados pela NPCD (The National Professional Development Center on Autism Spectrum Disorder).

Por que devem ser utilizadas essas práticas? Para que, ao receber a intervenção, haja um impacto positivo na vida de pessoas autistas. Sendo assim, profissionais de intervenção precoce, escolas, clínicas e outros programas de serviços têm buscado as práticas efetivas para trabalhar com crianças e jovens autistas.

Para serem incluídas na atual revisão da NPCD, as práticas de intervenção focadas examinadas prescindiam ser de natureza comportamental, clínica, de desenvolvimento e/ou educacional. Estudos em que as intervenções eram apenas medicamentosas ou suplementos nutricionais/dietas especiais foram excluídos da revisão. Portanto, o que podemos perceber é que foram incluídas somente intervenções que poderiam ser implementadas nos seguintes contextos: educacionais, domiciliares, clínica e/ou comunidade.

Dessa forma, também se excluíram práticas de intervenção que exigem materiais, equipamentos e/ou locais altamente especializados, podendo assim não fazerem parte do cotidiano dos ambientes educacionais, clínicos, comunitários e/ou domiciliares (por exemplo: terapia com golfinhos; hipnoterapia; câmaras hiperbáricas entre outras). É imperioso que a intervenção seja implementada por professores, clínicos, prestadores de serviços relacionados, famílias, prestadores de serviços comunitários e/ou outros que ofertem intervenção comportamental, clínica, de desenvolvimento ou educacional. As intervenções que possam demandar supervisão de profissionais médicos treinados foram excluídas (como: quelação, neurofeedback ou acupuntura/acupressão).

Atualmente são classificadas em 28 (vinte e oito) intervenções com Práticas Baseadas em Evidências. Cabe destacar que as 28 práticas atenderam aos critérios de classificação de evidências, para que as pessoas se atentem que não existe apenas uma, como tem sido erroneamente propagado dentro de alguns meios os quais divulgam o autismo no Brasil.

Posto isso, seguem as 28 práticas: 1-Intervenções baseadas no antecedente (ABI); 2-Comunicação alternativa e aumentativa (AAC); 3- Momentum Comportamental (BMI); 4-Comportamento cognitivo/ Estratégias instrucionais (CBIS); 5- Reforço diferencial de comportamento alternativo, incompatível ou outro (DR); 6- Instrução Direta (DI); 7- Treino em Tentativa Discreta (DTT); 8- Exercício e Movimento (EXM); 9- Extinção (EXT); 10-Avaliação Funcional de Comportamento (FBA); 11- Treino de Comunicação Funcional (FCT); 12- Modelação (MD); 13- Intervenção mediada por música; 14- Intervenções naturalísticas (NI); 15- Intervenção Implementada pelos pais (PII); 16-Instrução e intervenção baseada em pares (PBII); 17- Dicas (PP); 18- Reforçamento (R); 19- Interrupção da resposta/ redirecionamento (RIR); 20- Automonitoramento (SM); 21- Integração sensorial® (SI); 22-Narrativas Sociais (SN); 23- Treino de Habilidades Sociais (SST); 24- Análise de Tarefas (TA); 25- Instruções e intervenções assistidas por tecnologia (TAII); 26- Atraso de Tempo (TD); 27- Vídeo Modelação (VM); 28-Suportes Visuais (VS).

Em tempo, importante ressaltar que as práticas supracitadas então descritas num documento no site www.ondaautismo.com.br.

Assim, a pesquisa que revisou as atuais EBPs transmite o estado da ciência na prática de intervenção para crianças e jovens autistas, bem como também obviamente aponta a ciência como algo que está sempre em movimento, podendo assim propor, em breve, novas atualizações nas práticas. Tanto que, da última revisão (2014) até esta atual (2020), aumentou consideravelmente a gama teórica de literatura sobre as práticas, e isso é um avanço tanto no campo que busca uma base empírica para sua prática, quanto para pessoas autistas e suas famílias, as quais podem buscar melhores e mais seguros resultados das intervenções.

 

Referência

Práticas Baseadas em Evidências para Crianças, Adolescentes, e Jovens com Transtorno do espectro do Autismo ©2020. Steinbrenner, J. R., Hume, K., Odom, S. L., Morin, K. L., Nowell, S. W., Tomaszewski, B., Szendrey, S., McIntyre, N. S., Yücesoy-Özkan, S., & Savage, M. N. (2020). Evidence-based practices for children, youth, and young adults with Autism. The University of North Carolina at Chapel Hill, Frank Porter Graham Child Development Institute, National Clearinghouse on Autism Evidence and Practice Review Team.

 

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